ARI BORGER AO VIVO E EM CORES

19 julho, 2015
Live at Cincy Blues Fest é um marco na carreira do pianista e organista Ari Borger.
O álbum, lançado em formato CD-DVD pela Chico Blues Records, tem o registro da apresentação ao vivo no festival que se realiza anualmente no verão da cidade de Cincinati, Ohio, no Sawyer Point Park, nas margens do rio. São vários palcos distribuídos pelo parque, e um deles foi o cenário para Ari Borger mostrar o seu trabalho - Arches Boogie Woogie Piano Stage, que também é palco do prêmio International Boogie Woogie Hall of Fame.

Ari Borger Live at Cincy Blues Fest

Muitos convidados participam nas 9 faixas do CD - as vozes ficaram na responsabilidade de J.J. Jackson em "Baby Won´t You Jump Me" (Lowell Fullson) e Wallace Coleman, que também tocou harmônica, em "Men Red Spider" (Muddy Waters) e "Bricks on my Pillow" (Robert Nighthawk), estas com a seção rítmica da Igor Prado Band, com Igor Prado na guitarra, Rodrigo Mantovani no baixo e Yuri Prado na bateria.
Nas demais faixas a cozinha contou com George Bedard na guitarra, Chris Douglas no contrabaixo e Johnny Vidacovich na bateria; e Ari Borger alternou ao piano e hammond, este que mostra a força na pegada funky de "Funky B", tema autoral em que sobra muito groove; em "Blues Feeling", um slow Blues no melhor estilo; e na clássica "Green Onions", original de Booker T.
O Piano Blues abre o álbum em "Song for Jay"; se apresenta com todo seu lamento em "Playing with my Soul", em baixa dinâmica e com um riff estonteante de Ari; e, no melhor encontro do Boogie com o Jazz, a contagiante "French Quarter Boogie", que contou com as participações do baixista Marcos Klis e do guitarrista Celso Salim.

O DVD contém 7 faixas, com edição de imagens por Chico Blues, e registra o encontro de Ari Borger com o pianista Bob Seeley na faixa "Boogie with Bob", além do tema "88 Boogie", que não está no CD.
A masterização do álbum teve as mãos de Igor Prado e a arte da capa de Yuri Prado.
Um registro obrigatório.


ariborger.com/

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Lowdown Boogie Igor Prado Band

MUDDY, WOLF E BONAMASSA

09 julho, 2015
Joe Bonamassa
Sem dúvida, Joe Bonamassa é um dos guitarristas mais vibrantes surgidos na cena Blues-Rock nos últimos 20 anos. Fato que se comprova pelos seus últimos lançamentos - os fantásticos concertos realizados nos palcos do Royal Albert Hall (2010) e Beacon Teather (2012), em que teve ao lado as presenças de Eric Clapton e Paul Rodgers; no belíssimo Vienna Opera House (2013) com um super set acústico; e a viagem ao universo do Funk-Jazz dos anos 70 em Rock Candy Funk Party (2014), entre outros. Além, lógico, de sua obrigatória discografia de estúdio.

E agora nos surpreende com um Tributo a Muddy Waters e Howlin Wolf, dois pilares do Blues elétrico e, talvez, os grandes representantes do movimento a partir dos anos 60.
Com total domínio da linguagem Blues, Bonamassa desfila um repertório de clássicas composições de Willie Dixon, J.B. Lenoir, Muddy Waters, Chester Burnet e Hendrix, em 2h de apresentação em um dos palcos mais extraordinários da América - Red Rocks, localizado nas montanhas do Colorado, no anfiteatro geologicamente natural, com perfeita acústica.

Muddy Wolf at Red Rocks traz, como sempre, um Bonamassa inspiradíssimo e aqui com uma nova formação - os metais liderados por Lee Thornburg trompete e arranjos, Ron Dziubla sax e Nick Lane trombone; Mike Henderson harmônica; Reese Wynans piano e hammond; Michael Rhodes baixo; Kirk Fletcher guitarra; e Anton Fig bateria.

Uma super pré-produção deste trabalho levou Bonamassa ao Mississipi a bordo de um original Chevy Bel-Air 1957. Ao seu lado o produtor Kevin Shirley, e realizaram uma histórica viagem passando por Clarksdale, uma visita ao Delta Blues Museum até a encruzilhada protagonizada por Robert Johnson.
Tem ainda imagens resgatadas de Muddy e Wolf em apresentações ao vivo e em estúdio, tudo documentado nos extras do DVD-Bluray; e o áudio em CD duplo.


jbonamassa.com/

Mais Joe Bonamassa -

Live at Vienna Opera House Rock Candy Funk Party Joe Bonamassa : See Saw Joe Bonamassa : Don´t Explain

IN SET COM BRUNO MIGOTTO

02 julho, 2015
O baixista Bruno Migotto é um dos mais atuantes músicos da cena Instrumental brasileira. Seu som está presente no trio do guitarrista Michel Leme, com quem toca desde 2008, nos quintetos dos guitarristas Lupa Santiago e Djalma Lima, e na Soundscape Big Band - trabalhos de pura excelência.

Agora ele é o protagonista, e apresenta seu primeiro álbum solo intitulado In Set, um registro autoral que contou com a participação de Michel Leme na guitarra, Alex Buck na bateria e os sopros de Daniel D'Alcantara no trompete, Josué dos Santos e Cassio Ferreira nos saxofones e Jorginho Neto no trombone.
O primeiro time da cena instrumental paulistana.
Para Bruno, In Set é o retrato mais fiel da sua realidade e crença na arte, como afirma no belo encarte do álbum, com arte gráfica de Luda Lima.


Alternando entre o contrabaixo acústico e elétrico, o repertório se traduz quase como uma biografia -
das mudanças e incertezas em "Do Fim ao Começo"; a mistura de ritmos em "El Samba como me Gusta" e "Caixote de Surpresas"; a crença em "Paz de Cristo"; da ansiedade transformada em Blues em "Quase Roxo"; e dos insights criativos em "Acidental" e "Canto do Abacate".
Títulos cujas histórias são reveladas brevemente por Bruno em linhas impressas na contracapa do álbum.

Com a palavra, Bruno Migotto -

Gustavo Cunha: In Set é um álbum totalmente autoral. Como você trabalha o processo de composição?
Bruno Migotto: O processo de composição nunca é fácil pra mim, normalmente tudo parte de uma ideia e depois vem o desenvolvimento dessa ideia, que é a parte mais dificil e que leva muito mais tempo. As músicas desse disco foram todas compostas entre 2005 e 2007, e depois de escritas comecei a escrever os arranjos para a formação de septeto, a principio somente para estudo, mas depois de tanto trabalho os escrevendo decidi montar essa formação e toca-los. Em 2009 gravei o disco, que conta com 7 desses arranjos e com os músicos Michel Leme, Alex Buck, Daniel D'Alcântara, Cássio Ferreira, Josué dos Santos e Jorginho Neto.

GC: Nesta sessão você tem a base em trio com guitarra e bateria e uma seção de sopros. Você já tinha pensado nos arranjos do álbum sem piano?
BM: Desde que comecei a escrever os arranjos para essa formação sempre pensei neles com um só instrumento de harmonia, no caso a guitarra; assim o músico fica mais à vontade para harmonizar com o solista e interagir. Mas acima de tudo, minha preocupação foi em pensar nos músicos que eu queria que fizessem parte do som, então não escolhi a guitarra, escolhi o Michel Leme, que tem um som único, assim como todos os outros músicos que fizeram parte do disco. Esse é um dos aspectos que mais gosto desse tipo de música, que permite a criação e a improvisação em tempo real. Cada músico que muda, muda também todo o som do grupo e a maneira como os demais músicos tocam e reagem, isso requer uma sensibilidade e entrega total à Música.

GC: Contrabaixo acústico e elétrico - instrumentos de sonoridade e textura tão particulares. Como você os pensa em sua música?
BM: O que realmente acho mais distinto entre os dois instrumentos é a parte técnica, nesse sentido eles são completamente diferentes, a não ser por terem a mesma afinação. Portanto, não é natural que um baixista elétrico toque acústico nem vice versa, tem que estudar os dois separadamente com suas respectivas técnicas e sonoridades. Porém na hora de tocar, musicalmente falando, penso nos dois muito próximos. Minhas maiores referencias como baixista são baixistas acústicos. Depois que comecei a tocar baixo acústico meu jeito de tocar o elétrico mudou completamente, e meu modo de tocar em grupo mudou bastante, e pra melhor, eu acredito. Essa limitação técnica que o baixo acústico traz no começo, acho isso extremamente musical, faz você ser mais criativo com menos informação e também faz você valorizar o mais simples. Hoje em dia acho que um instrumento acaba ajudando e influenciando o outro. Meus estudos hoje também inclui a bateria, e foi desde que me mudei para São Paulo que pude começar a estudar de verdade esse instrumento, que foi minha primeira paixão na música, um instrumento que sempre me ajudou muito como baixista, e musicalmente; também tenho me dedicado bastante ao piano, que tem me ajuda muito em todos os sentidos. Acho extremamente importante para qualquer instrumentista conhecer um pouco de bateria e piano.


GC: O que o fez descobrir o contrabaixo? 
BM: O contrabaixo não foi minha primeira e nem segunda opção. O primeiro instrumento que eu tive foi um teclado, com uns 8 anos de idade mais ou menos, mas não despertou muito meu interesse para estudar na época e logo desencanei; mas foi quando vi uma bateria pela primeira vez na minha frente que meu amor pela música começou de verdade. Eu ficava louco quando via alguém tocando bateria, e queria muito fazer aquilo também (esse amor continua até hoje), porém morava em apartamento e ter uma bateria não era uma opção, a unica coisa que eu sabia era que não queria tocar guitarra, então baseado nas bandas de Rock que eu ouvia na época só me sobrou o baixo.
Aos 11 anos ganhei meu primeiro baixo elétrico, e a partir daí comecei a estudar música cada vez mais, ja sabendo que queria ser músico. Aos 17 fui para São Paulo estudar música e comecei a ouvir cada vez mais Jazz e Música Instrumental, e naturalmente comecei a ter como referencia aquela linguagem e sonoridade do baixo acústico, assim comprei meu primeiro acústico aos 18 anos. Comecei a estudar sozinho mesmo, e logo comecei a trabalhar com o instrumento, e tocar na noite ainda continua sendo minha maior escola, repertórios sempre diferentes e com músicos diferentes.
É muito interessante como as coisas acontecem. Quando comecei a tocar aos 11 anos, nunca imaginei que fosse tocar e carregar um baixo acústico pra lá e pra cá, porém agradeço muito, pois esse instrumento mudou completamente minha maneira de tocar e de ver a música, e também me abriu muitas portas para que eu começasse a tocar Música Instrumental e improvisada com grandes músicos que eram e ainda são minhas referências musicais, e que tenho a honra de ver de perto, aprender e tocar, como os grandes bateristas Bob Wyatt, Edu Ribeiro, Cuca Teixeira, Alex Buck, Nenê, Celso de Almeida, entre tantos outros.

GC: Você é professor no Conservatório Souza Lima, que tem muito foco no Jazz e na Música Instrumental. Você vê potencial na nova geração de músicos para levar esse legado adiante?
BM: Com certeza. Os tempos mudaram bastante por conta da tecnologia e do fácil acesso a informação, o importante é saber como lidar com isso. O perigo é ficar viciado no acúmulo de informações e não se aprofundar em nada direito. Gosto do antigo método de ter um disco e ouvi-lo até cansar, conhecer o máximo possível aquele disco, cantar os solos, saber o que acontece com os outros instrumentos, ouvir a música como um todo e não focar somente no próprio instrumento. E o que parece ser um método infalível para aprender uma linguagem é conhecer a história, estudar os que vieram antes de você, e os que vieram antes daqueles que você admira. Acredito que esse processo tanto de aprender quanto de ensinar deve ser feito em sua maior parte com Música, com som, e não somente com regras e dogmas, afinal ninguém quer virar músico ou se apaixonar pela Música por causa de regras e teorias.

Obrigado Bruno Migotto, e Sucesso !
brunomigotto.com/


Bruno Migotto on Myspace.

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Michel Leme 9

DOWNBEAT CRITICS POLL 2015

26 junho, 2015

O pianista Vijay Iyer foi, novamente, eleito o artista em destaque do Jazz na edição 63 do DownBeat Critics Poll; e seu trio, formado pelo contrabaixista Stephan Crump e pelo baterista Marcus Gilmore, o destaque na categoria de grupo. Vjay já tinha conquistado ambos títulos em 2012.
O álbum de Jazz em destaque ficou com o Tributo a Charlie Parker realizado pelo saxofonista Rudresh Mahanthappa, Bird Calls (ACT), que também foi o eleito novamente o artista na categoria sax alto.

Dobradinha também na eleição deste ano para Ambrose Akinmosire, Joe Lovano, Gary Smulyan, Anat Cohen, Nicole Mitchell, Robert Glasper, Bill Frisell, Christian McBride, Stanley Clarke e Regina Carter; e para as vozes de Gregory Porter e Cecile McLoren Salvant.
Nos artistas em ascensão, a improvisação livre ganhou espaço no nome da saxofonista Ingrid Laubrock, e, mais que merecidos, os nomes de Melissa Aldana e Ben Williams.

A lista completa -

Hall of Fame: Lee Konitz
Veterans Committee Hall of Fame: Muddy Waters
Jazz Artist: Vijay Iyer
Jazz Album: Rudresh Mahanthappa, Bird Calls (ACT)
Historical Album: John Coltrane, Live At Temple University (Impulse!/Resonance)
Jazz Group: Vijay Iyer Trio
Big Band: Darcy James Argue’s Secret Society
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Steve Turre
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Rudresh Mahanthappa
Tenor Saxophone: Joe Lovano
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Kenny Barron
Keyboard: Robert Glasper
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Bill Frisell
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke
Violin: Regina Carter
Drums: Brian Blade
Percussion: Zakir Hussain
Vibraphone: Gary Burton
Male Vocalist: Gregory Porter
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Miscellaneous Instrument: Erik Friedlander (cello)
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Gary Clark Jr; Buddy Guy
Blues Album: Gary Clark Jr., Live (Warner Bros.)
Beyond Artist or Group: D’Angelo
Beyond Album: D’Angelo and The Vanguard, Black Messiah (RCA)

Astistas em ascensão -

Jazz Artist: Steve Lehman
Jazz Group: The Cookers
Big Band: Jason Lindner Big Band
Trumpet: Kirk Knuffke
Trombone: Ryan Keberle
Soprano Saxophone: Ingrid Laubrock
Alto Saxophone: Steve Lehman
Tenor Saxophone: Melissa Aldana
Baritone Saxophone: Chris Cheek; Brian Landrus
Clarinet: Chris Speed
Flute: Erica von Kleist
Piano: David Virelles
Keyboard: George Colligan; Jamie Saft
Organ: Jamie Saft
Guitar: Michael Blum
Bass: Ben Williams
Electric Bass: Tarus Mateen
Violin: Carla Kihlstedt
Drums: Tyshawn Sorey
Percussion: Giovanni Hidalgo
Vibraphone: Bryan Carrott
Male Vocalist: Allan Harris
Female Vocalist: Cyrille Aimée
Miscellaneous Instrument: Anouar Brahem (oud)
Composer: Rudresh Mahanthappa
Arranger: Arturo O’Farrill
Producer: Dave Douglas

ELIAS HASLANGER

22 junho, 2015
O saxofonista texano Elias Haslanger é um dos músicos mais atuantes na cena Jazz de Austin, Texas.
Iniciou os estudos na Texas University, onde tornou-se mestre em composição; e mais tarde partiu para a Manhattan Music School.
No final dos anos 90, alcançou posições de destaque no ranking das publicações Jazziz, Jazz Times e Downbeat; e com o trabalho realizado com o patriarca dos Marsalis, “Kicks are for Kids” (1998), ganhou definitivamente a admiração de público e crítica, cujo álbum foi eleito um dos melhores da década.
Convidado a integrar o grupo do trompetista Maynard Ferguson, "Big Bop Nouveau Band", tornou-se o solista principal ao tenor, caminho seguido muitos anos antes por Wayne Shorter, o que deu a Elias muitas horas de palco e experiência que enriqueceu sua trajetória em grupo, como líder e músico.
Seu álbum solo de 2012, "Church on Monday", passou 11 semanas em destaque no ranking das rádios pela JazzWeek e foi distribuído na Europa e Japão, ganhando destaque na edição da Downbeat em junho de 2013, em que ele comenta sobre o álbum que transformou sua forma de pensar o ritmo - "Hustlin" (1964) - um clássico Blue Note liderado por Stanley Turrentine e sua esposa e organista Shirley Scott .
Elias intitulou seu grupo como Church on Monday, formado por Dr. James Polk no Hammond, Jake Langley na guitarra, Daniel Durham no contrabaixo e Scott Laningham na bateria.
O organista Polk também é muito conhecido na cena musical de Austin, responsável por formar muitos músicos locais, e foi por muito tempo diretor musical da Ray Charles Orchestra. E destaque também o guitarrista canadense Jake Langley, que integrou o organ trio liderado por Joey DeFrancesco e é uma escola de guitarra com fluência plena na linguagem do Blues.
Esta formação está presente no contagiante álbum Live at the Gallery (2014, Cherrywood Rec), registro de 2 noites no Continental Club Gallery, em Austin. Um verdadeiro passeio pelo repertório do Jazz em uma sessão contagiante, não é à toa que o álbum recebeu 4,5 estrelas na Downbeat.
O líder muito inspirado, e não economizou no tempero Blues em "One for Daddy-O" (Adderley) e na tradicional "Going Down"; carregou o groove em "Watermelon Man" (Hancock) e "Adam´s Apple" (Shorter); deu espaço para os standards "I Thought About You" (Van Heusen) e "Song For My Father" (Horace Silver); e relaxou nas baladas "In a Sentimental Mood" (Ellington) e "Misty" (Errol Garner).


www.elijazz.com/

BEN WILLIAMS

05 junho, 2015
O contrabaixista Ben Williams já desponta como um dos mais talentosos músicos surgidos na cena Jazz nos últimos tempos. Formado pela Juilliard School, recebeu, em 2009, a honra máxima no Thelonious Monk International Bass Competition, impressionando uma bancada de mestres formada, na época, por Ron Carter, Dave Holland, Charlie Haden, John Pattittuci, Christian McBride e Robert Hurst.

Em 2011 lançou seu álbum de estreia, “State of Art” (Concord Rec), ao lado de de Marcus Strickland, Matthew Stevens, Gerald Clayton e Jamire Williams, em um repertório que traz nova roupagem para "Little Susie" (Michael Jackson) e "Part Time Love" (Steve Wonder), e ainda faz uma fusão com o hip-hop em homenagem a Lee Morgan com o DJ e rapper John Robinson e o trompetista Christian Scott como convidados.
Tanto talento chamou a atenção de Pat Metheny, que o convidou para integrar o Unit Group ao lado de Chris Potter e Antonio Sanchez, cujo álbum de estreia foi premiado com o Grammy em 2012. E foi McBride quem o apresentou ao guitarrista quando ainda estudava na Julliard; foi a oportunidade de Williams juntar-se ao trio de Metheny para algumas gigs, mais tarde recebendo o convite para integrar o Unity Group. Um reconhecimento e tanto, afinal ele tem em Metheny uma grande influência.
Em 2013, já figurava na lista dos músicos em ascensão na eleição da revista Downbeat.

Com seu segundo álbum, Coming of Age (2015, Concord Rec), Williams mostra-se muito mais maduro, e tem ao seu lado novamente o sax de Marcus Strickland e a guitarra de Matt Stevens, complementando com Christian Sands no piano e John Davis na bateria, grupo que ele intitulou Sound Effects. Convidados muito especiais participam do álbum - novamente o trompetista Christian Scott, o vibrafonista Stefon Harris, e as vozes de Goapele e W.Ellington Felton.
São 11 composições no repertório, e, particularmente, um ponto alto do álbum é a belíssima interpretação de "Lost & Found", cover da cantora de Soul inglesa Lianne La Havas, com Christian Scott em total introspecção. Ainda em destaque, uma versão solo de "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana; e uma homenagem a Nelson Mandela em "Voice of Freedom", interpretada na voz de Goapele.


benwilliamsmusic.net/

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Next Collective

MUY POQUITO COM ITAMAR CARNEIRO TRIO

23 maio, 2015
A simplicidade é a máxima sofisticação.
É por essas linhas que o guitarrista paulista Itamar Carneiro rege seu modo de ser, simples, que gosta das coisas simples; e faz do uso desta simplicidade um universo de histórias musicais.
Com muito talento e criatividade, ele apresenta seu primeiro álbum solo, Muy Poquito, um registro independente em que traz um repertório autoral em 6 composições, fazendo uma fusão de ritmos latinos, muito influenciado pela música cubana, sem perder o swing e a linguagem da música brasileira.
Sem dúvida, uma música de extrema grandeza, emoção e singularidade.


Ao lado de Itamar Carneiro estão Shamuel Dias no baixo elétrico e Danilo Carvalho na bateria, um trio super integrado e com espaço para muito improviso, em uma sessão gravada sem cortes, sem overdubs, sem correção nem adição de mais nada, para que se perceba o som mais real possível, ao vivo.
O álbum abre com a forte melodia do tema título, cadenciado pela atmosfera latina e trazendo intensos improvisos de Itamar, Shamuel e Danilo. Em "Meu Porto, meu Cais", Itamar introduz o tema com um chord melody em uma belíssima balada; assim como na bossa "Um Mar de Saudade". O ritmo brasileiro marca o "Baião de Assis Carneiro", mostrando sua influência por Gonzagão em um mood muito particular; e o Blues tem presença em "Martino Blues", uma reverência ao guitarrista Pat Martino. Fechando o álbum, uma belíssima interpretação solo em "O Trem de Cabedelo".

Itamar usou uma Ibanez AF100 em todas as faixas, com exceção de "O Trem de Cabedelo", em que usou uma guitarra fabricada pelo luthier Aquiles, de Brasília, ambos plugados em um amp Fender Delux 112.

Com a palavra, Itamar Caneiro -

Gustavo Cunha: Conte sobre sua formação musical e como a guitarra se tornou protagonista em sua vida.
Itamar Carneiro: Me formei primeiramente no extinto Conservatório Padre Jose Mauricio, localizado na minha cidade São Bernardo do Campo. Antes disso tive aulas particulares com um excelente guitarrista da região, Ronaldo Mirandah. Eu tinha uns 16 anos e estava aprendendo tudo que eu podia sobre teoria musical e começava a empunhar a guitarra de uma maneira interessante. Foi quando esse meu primeiro professor me deu uns discos pra eu levar pra casa e ouvir, entre eles Larry Coryell e Toninho Horta. Lembro-me de ter ficado alucinado com aqueles dois discos, me fizeram chorar e foi a partir dali que tudo começou de verdade. Em seguida, com aquele som na orelha 24hs por dia, procurei o Conservatório Padre Jose Mauricio e tive outra grande sorte, um presente de Deus - encontrei outro super professor chamado Sergio Leão. O "Leão", como todos aqui em S.B.Campo o chamamos, me ensinou tudo, ele é um cara minucioso com os alunos e percebeu que eu tinha vontade de aprender. Estar como aluno sob o comando de suas batutas foi fundamental, sempre muito honesto e como professor não poderia ser diferente, atencioso com minhas duvidas, me acalmando com minhas ansiedades e procurando sempre me levar ao amadurecimento; foi assim durante quatro anos.
Depois fui para a FAAM onde estudei dois anos como o professor Marcelo Gomes, e tive as outras matérias do curso. Dai migrei definitivamente para a FASCS, Fundação Das Artes de São Caetano do Sul, onde estudei 5 anos cumprindo todo o conteúdo de um curso extremamente acadêmico, e lá meu professor de guitarra foi o Jorge Hervolini. Além disso, toquei na Big Band da FASCS por 2 anos sob a regência do Maestro Sergio Gomes.
Mais tarde procurei um cara que continua sendo um exemplo pra mim, o professor Heraldo do Monte, um ídolo e um super ser humano, cujo período de aulas durou apenas 5 meses.

GC: "Muy Poquito" tem a formação de trio, sem instrumento harmônico. É um desafio tocar nesta formação?
IC: Sim, é um desafio. Principalmente pra mim que só tocava em quarteto com um piano sempre me dando suporte. Na verdade, eu não sabia tocar em trio até este disco. Ainda tenho muito que amadurecer, e estou na busca por isso. Ainda sou uma criança aprendendo a dar os primeiros passinhos em relação a tocar em trio, onde a guitarra assume um papel de harmonizador.

Itamar Carneiro

GC: Fale sobre os músicos que estão com você e como surgiu a ideia de registrar esta sessão.
IC: Vou descrever isso da maneira mais honesta que eu puder. Começou com minha vergonha de ser eu mesmo. Eu tinha muita vergonha do meu sotaque, das coisas que escrevia, e me preocupava com “O que os outros iriam pensar de mim”; e é bem verdade que eu tinha um problema psicológico a ser resolvido. Eu escrevia melodias e as deixava na gaveta mofando.
O pouco tempo de aula com o Heraldo me ajudou muito; com as aulas comecei a pensar sobre o fato da existência humana, sobre o “Eu”, singular, único, especial.
Nesta gravação, como músico sei perfeitamente que preciso amadurecer muito, mas como ser humano, no que diz respeito a “certeza”, eu estava pronto. Na gravação fui eu mesmo com toda a verdade que pude ser. Fui feliz em gravar, muito feliz. Foi dessa maneira que comecei a pensar em registrar uma sessão de gravação dos meus temas.
Os músicos são meus amigos e companheiros de FASCS - o Shamuel Dias fez o baixo elétrico e cuidou de parte da Produção do disco, e o Danilo Carvalho fez a bateria. Ressalto que ambos são extremamente talentosos e pessoas do bem, dois cavalheiros. Fizemos 2 takes de cada faixa, mas eu escolhi os primeiros, com exceção do "Martino Blues".

GC: A música cubana exerceu forte influência na linguagem do Jazz. Há uma presença muito forte desta textura em sua música, além da riqueza da música brasileira, em ritmo e melodia. Quais suas influências e/ou referências?
IC: Ouço musica Cubana e latina desde criança, mas tenho um amigo que me fez mergulhar nisso e ouvir ainda mais - um filho de chilenos chamado Pablo Lopez. Eu tenho uma preferencia pela musica camponesa cubana, aquelas que só têm voz e três instrumentos, e tem uma melodia curta e simples. Isso me fascina. Gosto de coisas simples.
Tenho uma ligação muito forte com a natureza, principalmente com o mar, talvez pelo fato de ser neto de pescador. Minha família materna é de João Pessoa, e minha família paterna é do sertão do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ouvi Gonzagão e companhia a vida toda. Acho que tudo se juntou na minha cabeça e saiu o que saiu. Adoro melodias e acho que consigo escrever coisas bonitas, gosto do que eu escrevo.
Então, minhas influencias musicais são musica de gente humilde mesmo, eu não me considero um músico sofisticado e não pretendo ser, gosto de coisas simples.

GC: As composições longas abrem um bom espaço para explorar o lado criativo. Você acredita que a improvisação livre é um caminho natural para expressar emoção no tempo em que a música ocorre?
IC: Pra mim, se uma melodia começa ela tem seu próprio curso pra ir aonde ela quer ir, e ninguém pode interromper isso. Penso como Carlos Drummond de Andrade, a poesia vem de uma estância maior, seja ela qual arte for, e nos improvisos a coisa pra mim é dessa maneira. A liberdade de criação nos improvisos requer muito estudo. Estudar os estilos musicais, as texturas, a historia da cultura de onde a música veio, e por ai vai.
Então, penso sim que o improviso é uma forma natural de se expressar com emoção, mas isso requer muito estudo, não da pra fazer isso do nada.

GC: Belíssima composição solo em "Trem de Cabedelo". O que o inspira nesses momentos intimistas?
IC: Uma Paisagem. La em João Pessoa, na cidade dos meus pais, tem um trem muito antigo que transita das cidades mais simples levando trabalhadores para João Pessoa, uma delas é a cidade de Cabedelo. O trem é periférico, pobre, feio, velho e mal tratado.
Se forem a João Pessoa, mais precisamente no centro velho, ao lado do Hotel Globo, vão entender minha inspiração. O trem passa entre construções antigas buzinando. Se quiser, pode ir a Cabedelo nele, é bem legal, é lindo. Isso me marcou. As coisas simples geralmente mexem muito comigo, e eu gosto de transpor isso para a música, a arte onde me coloco.

Obrigado Itamar Carneiro, e Sucesso !

Você pode adquirir o álbum Muy Poquito na Pops Discos.

O ADEUS AO REI DO BLUES B.B. KING

15 maio, 2015

Comecei a ouvir Blues de verdade nos anos 80, e a primeira vez que a gente ouve aquela única nota rasgada de B.B. King, nunca mais esquece. E esse momento foi o registro de um álbum duplo em vinil, gravado ao vivo, que, definitivamente, colocou o Rei do Blues na minha prateleira - Live Now Appearing at Ole Miss (1980), um álbum espetacular e que deixou até hoje na memória aquela versão incendiária de "Caldonia", e ainda trazia neste mesmo registro seu tema que se tornou quase um hino - "The Thrill Is Gone". Não demorou para eu ser apresentado a outro registro histórico e clássico - Live in Cook County Jail (1971), também gravado ao vivo e este dentro de um presídio, Cook County Jail, em Chicago, álbum que figura na lista dos 500 de todos os tempos pela Rolling Stone. E ao vivo a história é sempre diferente, Live at Regal (1965), também gravado em Chicago, está listado no livro "1000 discos para ouvir antes de morrer" (Robert Dimery, Ed. Sextante).

Live at Regal Live in Cook County Jail Live

A guitarra de B.B. King tem assinatura própria, tem aquele nota, basta 1 única nota, que é influência e referência para todos que se envolvem no mundo do Blues - gerações que passaram, que estão aí e que ainda estão por vir. E B.B. King vai além da guitarra, tem em sua voz a força, a intensidade e a paixão do Blues.
Um ícone para muitos, um Bluesman.
Sua música deixa um legado, uma escola. Ao longo da carreira teve ao lado grandes nomes como Bobby Bland, com quem gravou dois excelentes álbuns Together for the First Time (1974) e Together Again (1976); fez um interessante e inesperado trabalho com a cantora Dianne Schur em Heart to Heart (1994); e um belo álbum com Eric Clapton em Riding with the King (2000), este que deu a ele o Grammy como melhor álbum de Blues; alias, foram vários prêmios Grammy.
Há uma grande e obrigatória discografia, e de fato ele deu um rumo ao Blues moderno.

B.B. King imortalizou sua guitarra modelo 335, batizando-a de "Lucille", cuja história do nome deu-se no ano de 1949 quando ele tocava em um palco na cidade de Arkansas e, em consequência de uma briga, o local pegou fogo. Todos correram para o lado de fora, e então B.B. percebeu que tinha deixado sua guitarra lá dentro e voltou para recuperá-la, um modelo Gibson que tinha custado meros 30 dólares. Na manhã seguinte, descobriu que os dois homens tinham brigado por causa de uma mulher de nome Lucille, batizando, assim, seu modelo de guitarra que foi endossado pelo fabricante. B.B. veio a escrever uma canção de mesmo nome, em que relata este fato.

Riley B King nasceu na cidade de Itta Bena, Mississipi, em 1925. Como dizia seu pai, em algum lugar entre Itta Bena e Indianola. Uma história não diferente dos negros daquela época, com trabalho escravo nas plantações de algodão. Sua história musical começou quando seu tio casou-se com a irmã de um pregador local, que, aos domingos após a missa da tarde, ia até sua casa e deixava sua guitarra sobre a cama; e B.B. a pegava, iniciando sua relação com o instrumento. Foi o Reverendo Archie que B.B. ouviu tocar guitarra pela primeira vez; cantou canções Gospel, muitas vezes líder de grupo, entre eles o "The Famous St John Gospel Singers".
B.B.King partiu para Memphis, onde sua carreira musical começou a ganhar direção. Memphis era o lugar certo e era onde os músicos estavam dispostos a ajudar àqueles que queriam aprender, se encontrando nas ruas e trocando idéias. Lá, B.B. encontrou seu primo Bukka White, que costumava dizer a ele que para ser um Bluesman devia se vestir como se fosse ao banco pedir dinheiro emprestado.
Bukka White tocava usando um slide, coisa que B.B. nunca conseguiu usar; porém, para conseguir aquele som, B.B. passou a usar o dedo como um vibrato, o que acabou tornando-se uma das suas características principais, uma escola. Começou a cantar, por indicação de Sonny Boy Willianson, e a trabalhar como DJ em uma rádio local, WDIA, e foi o primeiro negro a operar uma estação de rádio.
Era o Blues Boy, que todos passaram a chamar de "Bee Bee". 

Martin Scorsese dedicou a B.B.King um documentário na série "Presents the Blues: The Road to Memphis"; e teve sua biografia em filme dirigida por Jon Brewer intitulada "The Life of Riley", que traz uma série de depoimentos.

Incansável ! Um verdadeiro Bluesman.
B.B.King : 1925-2015

BLUES MUSIC AWARDS 2015

08 maio, 2015

Anunciados os vencedores da edição 36 do Blues Music Awards, promovido pela Blues Foundation, organização fundada em 1980 dedicada e preservar a história do Blues.
A noite de premiação ocorreu em 7 de maio em Memphis, em uma semana de muitas apresentações.
Entre os premiados desta edição, destaque para Elvin Bishop e John Hammond; ainda Gary Clark Jr. e John Nemeth que, pelo segundo ano consecutivo, estão entre os premiados; e, mais que merecido, o nome de Joe Bonamassa como guitarrista destaque.
Este espaço também já dedicou artigos a alguns vencedores - Lisa Mann, Janiva Magnes, Deanna Bogart, Gary Clark Jr. e Joe Bonamassa; e aos nomeados Eden Brent e Beth Hart.

Confira a lista completa (e os nomeados) -

Band : Elvin Bishop Band
(John Németh & the Bo-Keys, Rick Estrin & the Nightcats, Sugar Ray & the Bluetones, The Mannish Boys)
Album : Can’t Even Do Wrong Right – Elvin Bishop
(Living Tear To Tear – Sugar Ray & the Bluetones; Memphis Grease – John Németh; Refuse to Lose – Jarekus Singleton; Wrapped Up and Ready – The Mannish Boys)
Contemporary Blues Album : BluesAmericana – Keb Mo
(Can’t Even Do Wrong Right – Elvin Bishop; Original – Janiva Magness; Refuse to Lose -Jarekus Singleton; Hornet’s Nest – Joe Louis Walker)
Soul Blues Album : Memphis Grease – John Nemeth
(Blues for My Father – Vaneese Thomas; Decisions – Bobby Rush with Blinddog Smokin; In My Soul – The Robert Cray Band; Soul Brothers – Otis Clay & Johnny Rawls)
Soul Blues Male Artist : Bobby Rush
(Curtis Salgado, John Németh, Johnny Rawls, Otis Clay)
Soul Blues Female Artist : Sista Monica
(Candi Staton, Missy Andersen, Sharon Jones, Vaneese Thomas)
Best New Artist Album : Don’t Call No Ambulance – Selwyn Birchwood
(Chromaticism – Big Harp George; Heavy Water – Fo’ Reel; Making My Mark – Annika Chambers & the Houston All-Stars; One Heart Walkin‘ – Austin Walkin’ Cane)
Harmonica : Charlie Musselwhite
(Kim Wilson, Mark Hummel, Rick Estrin, Sugar Ray Norcia)
GuitarJoe Bonamassa
(Anson Funderburgh, Johnny Winter, Kid Andersen, Ronnie Earl)
BassLisa Mann
(Bob Stroger, Michael “Mudcat” Ward, Patrick Rynn, Willie J. Campbell)
DrumsJimi Bott
(June Core, Kenny Smith, Tom Hambridge, Tony Braunage)
HornDeanna Bogart
(Al Basile, Jimmy Carpenter, Sax Gordon, Terry Hanck)
Contemporary Blues Female ArtistJaniva Magness
(Beth Hart, Bettye LaVette, Marcia Ball, Shemekia Copeland)
Traditional Blues Male ArtistLurrie Bell
(Billy Boy Arnold, John Primer, Sugar Ray Norcia, Sugaray Rayford)
Acoustic Album : Timeless – John Hammond
(Hard Luck Child: A Tribute to Skip James – Rory Block; Jericho Road – Eric Bibb; Jigsaw Heart – Eden Brent; Son & Moon: A Tribute to Son House – John Mooney)
Acoustic Artist : John Hammond
(Doug MacLeod, Eric Bibb, John Mooney, Rory Block)
Traditional Blues Album : A Tribute to Muddy Waters – Mud Morganfield & Kim Wilson
(Common Ground: Dave Alvin and Phil Alvin Play and Sing the Songs of Big Bill Broonzy – Dave Alvin and Phil Alvin; Livin’ it Up – Andy T-Nick Nixon Band; Living Tear To Tear – Sugar Ray & the Bluetones; The Hustle is Really On – Mark Hummel; Wrapped Up and Ready – The Mannish Boys)
Contemporary Blues Male ArtistGary Clark Jr.
(Elvin Bishop, Jarekus Singleton, Joe Bonamassa, Joe Louis Walker)
Rock Blues AlbumStep Back – Johnny Winter
(Goin’ Home – Kenny Wayne Shepherd Band; Time Ain’t Free – Nick Moss Band; heartsoulblood – Royal Southern Brotherhood; The Blues Came Callin’ – Walter Trout)
Song“Can’t Even Do Wrong Right” (Elvin Bishop)
(“Another Murder in New Orleans”(Carl Gustafson & Donald Markowitz) por Bobby Rush, Dr. John with Blinddog Smokin; “Bad Luck Is My Name” (John Németh) por John Németh; Let Me Breathe” (Janiva Magness & Dave Darling) por Janiva Magness; “Things Could Be Worse” (Ray Norcia) por Sugar Ray & the Bluetones)
B.B. King EntertainerBobby Rush
(Elvin Bishop, John Németh, Rick Estrin e Sugaray Rayford)
Historical : Soul & Swagger The Complete 5 Royales 1951-1967 (Rock Beat)
(From His Head to His Heart to His Hands – Michael Bloomfield (Columbia/Legacy);
Live at the Avant Garde – Magic Sam (Delmark); The Modern Music Sessions 1948-1951 – Pee Wee Crayton (Ace); The Roots of it All-Acoustic Blues – Various Artists (Bear Family))
Pinetop Perkins Piano Player : Marcia Ball
(Barrelhouse Chuck, Bruce Katz, David Maxwell, Eden Brent)
Koko Taylor Award : Ruthie Foster
(Alexis P Suter, Diunna Greenleaf, EG Kight, Trudy Lynn)

UM TRIBUTO PARA BILLIE HOLIDAY

19 abril, 2015
No ano do centenário de Billie Holiday, nada mais natural que venham as homenagens, afinal foi uma das mais surpreendentes cantoras surgidas no século passado, pela sua voz, pela sua história e pelo legado de sua música.

O cantor Jose James apresenta o belíssimo álbum Yesterday I Had the Blues - The Music of Billie Holiday, uma celebração a uma das vozes que tanto o influenciou, interpretando 9 temas escritos e revelados por Billie.
Ao seu lado, o pianista Jason Moran, o contrabaixista John Patitucci e o baterista Eric Harland; e a produção de Don Was. presidente da Blue Note, gravadora por onde o álbum foi lançado.

Para Jose James, Billie é sua mãe musical, é parte da sua memória, cuja voz era predominante em sua casa - calorosa, dramática e dolorosa; e foi uma descoberta que deu-se em um período difícil de sua adolescência, como uma fuga durante seus períodos de tristeza. Ainda afirma que a música de Billie o fez, de fato, um cantor, e o colocou no caminho que estra trilhando hoje.

No repertório, as belíssimas baladas "Good Morning Heartache", "Body and Soul" e "Tenderly"; uma roupagem bem bluesy para "Fine and Mellow", "Lover Man" e "God Bless the Child"; e um belo duo com Moran em "I Thought About You". Ainda, "What a Little Moonlight Can Do", formatada em uptempo introduzida por um intenso improviso de Moran e um Harland sempre genial; e, à capela, na melhor atmosfera spiritual, uma interpretração dos deuses para "Strange Fruit".


josejamesmusic.com/
"Ninguém canta como eu a palavra fome ou a palavra amor. 
Sem dúvida porque eu sei o que há por trás desssas palavras" 
Billie Holiday : 1915-1959