SANTANA REVISITADO POR ELE MESMO

21 maio, 2016

É inegável a originalidade do registro da guitarra de Carlos Santana, uma marca que se faz evidente desde sua apresentação no festival de Woodstock e que se consolidou nos extraordinários primeiros álbuns de sua discografia – Santana (1969), Abraxas (1970) e Santana III (1971).
A época foi um momento de intensa explosão criativa, muito influenciada pela cultura do jazz que se unia com a energia do rock e a psicodelia fazendo emergir uma nova identidade musical que se desenvolveria por toda a década seguinte, transformando a música em surpreendentes viagens sonoras.

Desde o lançamento do álbum III, a música de Santana se transformou, se afastou do experimentalismo e se aproximou do pop e da música comercial, mas a assinatura de sua guitarra sempre esteve presente.
Passados 45 anos do lançamento de III, ele nos surpreende com Santana IV, trazendo de volta os músicos dos primeiros álbuns como o tecladista e vocalista Gregg Rolie, o baterista Michael Shrieve, o percussionista Mike Carabello e o guitarrista Neal Schon, este ainda muito jovem na época e que viria a participar também do álbum Caravanserai (1973).
A ideia desse encontro surgiu por iniciativa de Neal, que sugeriu ao líder que gravassem algo juntos, o que os levou a chamarem os amigos que participaram da sessões iniciais da época e rotularem o novo trabalho como sequência do último álbum gravado em 1973.
Lógico que, quase meio século depois, a textura do som desses caras carregaram diversas influências e nuances, mas ainda percebe-se que o romantismo criativo e lisérgico das improvisações ainda corre muito forte nas veias. 
Santana IV traz 16 composições incorporando todos os elementos que predominaram na música de Santana por todo esse tempo – os ritmos latinos, as pontuações vocais, muita percussão e muito improviso. Os fãs vão perceber muito do velho Santana e a energia chicana do timbre da sua guitarra.
A formação atual traz ainda Benny Rietveld no baixo, Karl Perazzo na percussão e Ronald Isley nas vozes.



www.santana.com/

BLUES MUSIC AWARDS 2016

07 maio, 2016

Mais uma edição do Blues Music Awards, que chega ao número 37 celebrando o blues e homenageando os artistas que promoveram o estilo ao longo do último ano.
Nossa maior expectativa girava em torno da nomeação da Igor Prado Band, concorrendo pela primeira vez na categoria de revelação do blues com o álbum “Way Down South”. Não foi dessa vez que o prêmio veio na bagagem, mas só pelo fato de Igor prado, Rodrigo Mantovani e Yuri Prado estarem lá já é motivo de muito orgulho para nós. Igor é, sem dúvida alguma, nossa maior referência do blues mundo afora.

Entre os destaques dessa edição, Buddy Guy que, aos 79 anos, levou o prêmio de melhor álbum do ano e melhor álbum de blues contemporâneo com “Born to Play Guitar”; Walter Trout, que recuperou-se de um transplante de fígado foi outro grande vencedor nas categorias de melhor álbum de rock-blues e melhor canção pelo álbum “Battle Scars”.
Na linha do soul-blues, Otis Clay destacou-se como artista e álbum com “This Time for Real”; e Allen Toussaint, que nos deixou recentemente, homenageado com o prêmio Pinetop Perkins Piano Player of the Year.

Confira os premiados –

Acoustic Album: The Acoustic Blues & Roots of Duke Robillard – Duke Robillard
Acoustic Artist: Doug MacLeod
Album: Born to Play Guitar – Buddy Guy
B.B. King Entertainer: Victor Wainwright
Band: Victor Wainwright & the Wild Roots
Best New Artist Album: The Mississippi Blues Child – Mr. Sipp
Contemporary Blues Album: Born to Play Guitar – Buddy Guy
Contemporary Blues Female Artist: Shemekia Copeland
Contemporary Blues Male Artist: Joe Louis Walker
Historical: Buzzin’ the Blues by Slim Harpo (Bear Family Records)
Instrumentalist-Bass: Lisa Mann
Instrumentalist-Drums: Cedric Burnside
Instrumentalist-Guitar: Sonny Landreth
Instrumentalist-Harmonica: Kim Wilson
Instrumentalist-Horn: Terry Hanck
Koko Taylor Award: Ruthie Foster
Pinetop Perkins Piano Player: Allen Toussaint
Rock Blues Album: Battle Scars – Walter Trout
Song: “Gonna Live Again” – Walter Trout
Soul Blues Album: This Time for Real – Billy Price & Otis Clay
Soul Blues Female Artist: Bettye LaVette
Soul Blues Male Artist: Otis Clay                      
Traditional Blues Album: Descendants of Hill Country – Cedric Burnside Project
Traditional Blues Male Artist: John Primer

www.blues.org

A TRAJETÓRIA DO ROCK AO JAZZ DO GUITARRISTA JORGE SHY

18 março, 2016
O guitarrista Jorge Shy foi um dos protagonistas da cena rock nacional nos anos 80. O interesse pelo jazz o levou a ingressar na Berklee College of Music, em Boston, no início dos anos 90, época em que lá, como ele mesmo afirma, transpirava o estilo; afinal muitos grandes músicos embarcaram nessa experiência. Graduou-se em Jazz Composition e Film Scoring, e desde então carrega em sua música os elementos da improvisação e da experimentação, reservando as influências do rock, do jazz, da bossa e da música brasileira.

Somebody’s Waiting é o terceiro álbum de sua discografia, e Jorge Shy está acompanhado pelo seu habitual trio formado por Marcos Flo no contrabaixo e Caio Milan na bateria, juntos desde 2008, e conta com as participações de Rubinho Antunes no trompete, Ricardo Pacheco no piano, Israel Ring no sax, Rubens de La Corte no violino e Sandra Tornicce no violoncelo.
O álbum foi gravado entre julho de 2014 e março de 2015, e traz 8 composições em que Shy não se prende a uma busca de uma única definição estilística, ele quer oferecer aos amantes da música instrumental uma obra consistente, que se complementa a cada composição.


Com a palavra, Jorge Shy -

Como deu-se a sua ligação com a música instrumental e o jazz?
A minha ligação com a música instrumental vem de longa data. Ainda um roqueiro consciente, comecei a conhecer a música de Miles Davis, de John McLaughlin e a Mahavishnu Orchestra, e comecei a frequentar aquelas primeiras edições do Free Jazz Festival, onde assisti um show do Pat Metheny Group no Palace, acho que em 1983. Ali foi um divisor de águas para mim, e comecei a me interessar e estudar música mais a fundo.

Berklee é uma escola de referência, e você tem a formação em jazz por lá. Como você descreve essa experiência, e o quanto ela transformou sua forma de pensar música?
Berklee na minha época ainda transpirava jazz (nao sei hoje em dia), e o fato de você ouvir grandes músicos estudando e tocando nos bares é bastante estimulante; fora a competição saudável de todos em alcançar seus objetivos . Na verdade, tocar enquanto eu estava lá nunca foi a prioridade, eu queria escrever musica e fui pra Jazz Composition, Film Scoring, este tipo de coisa . Tocava sim, jazz, acid jazz que na epoca era "moda", música brasileira e estudava improvisação e piano. Acho que tudo isso fez com que eu ganhasse "estofo", e  diria que ficou armazenado e ainda está, pois ainda exploro ideias e conceitos de um época mágica. O tema "Somebody's Waiting foi composto e tocada lá, assim como "Campana".

Em “Somebody’s Waiting” você reforça algumas influências. Fale sobre a música que o inspira.
Verdade. Eu demorei para encontrar o meu som, vinha do rock e blues, estudei erudito, me envolvi com jazz, a música de Jobim e Toninho Horta; foi difícil colocar tudo isso em um liquidificador e resultar no que faco hoje em dia, que, na minha modesta opinião, é música contemporânea. Misturo minha veia de rock e blues nos solos e na pegada com a guitarra elétrica, e desenvolvo esee trabalho de violão que me permite utilizar outras influências como parte de composição, harmonia da música brasileira, folk e outros estilos .


Como formou-se o grupo que o acompanha nesse trabalho?
Comecei a tocar com o baixista Flo e a experimentar coisas novas, ele trouxe o baterista Caio Milan e começamos a fazer shows e experimentações no Souza Lima, onde leciono. Desde 2009 iniciamos esse processo e eles foram me ajudando e compreendendo o estilo. O mesmo aconteceu com o pianista Ricardo Pacheco, que conheço de Boston e tocamos muito juntos há muitos anos .

Que equipamentos usou nessa sessão?
Nesse trabalho utilizei Gibson Les Paul, Fender Telecaster modificada, Cort Jim Triggs e uma Stratocaster Bill Nash. Na parte de amplificação usei um Jazz Chorus antigo, do inicio dos anos 80, um valvulado Hughes and Kethner e um Fender Vibrolux. Na parte de violão utilizei um Martin DCP e um OM Greg Benett , alem de um violão do famoso luthier Virgilio (Sabara) e um violao de nylon espanhol Alhambra.

Como adquirir o álbum?
Nas lojas virtuais do iTunes e Amazon; e pode ouví-lo por streaming nos canais Soundcloud, Spotify, Deezer, além de outras mídias. O CD fisico está a venda em shows e por e-mail.
Estou fazendo uma coisa muito legal - para impulsionar o meu novo site - www.shymusic.com.br - a pessoa se cadastra, deixa o seu e-mail e ganha um CD de presente. Vale conferir.

Obrigado Jorge Shy, e sucesso.

VAI DEIXAR SAUDADE, NANA VASCONCELOS

09 março, 2016


A percussão brasileira sempre foi muito bem representada na música contemporânea pelas mãos de Nana Vasconcelos, que morreu nesta data, aos 72 anos, vítima de um câncer no pulmão.
Sem a menor dúvida a assinatura de Nana influenciou novas gerações de instrumentistas. Sua genialidade sempre se fez presente, dando seu talento e criatividade em diversos trabalhos ao lado de artistas grandiosos como Pat Metheny, Egberto Gismonti, Don Cherry e Jan Garbarek, entre tantos outros. Um músico sempre tão original e empolgante, o que o levou a estar, por diversas vezes, na lista dos melhores percussionistas do mundo pela revista Downbeat.

Pernambucano, iniciou na música nas bandas de maracatu, e ganhou o mundo.
Eu conheci sua música no fantástico “Dança Das Cabeças” (1977), registro gravado com Egberto Gismonti durante três dias em estúdio e que tornou-se a porta de entrada de Gismonti na gravadora ECM. Naná se projetou e colocou o berimbau definitivamente na rota da música moderna; ainda com Gismonti gravou “Sol do Meio Dia” (1978) e “Duas Vozes” (1984). No final dos anos 70, integrou um dos grupos mais experimentais do jazz contemporâneo, Codona, ao lado do trompetista Don Cherry e do citarista Collin Walcott, era uma música livre de formas e cujo trabalho rendeu 3 álbuns – “Codona 1” (1979), “Codona 2” (1981) e “Codona 3” (1983), também lançados pela ECM.

Minha conexão com a música de Nana se fortaleceu no trabalho ao lado do guitarrista Pat Metheny, em que destaco a intensidade de sua interpretação no tema “The Fields, The Sky”, inserido no álbum “Travels” (1982), gravado ao vivo, um intenso registro improvisado de berimbau e guitarra em um diálogo realmente impressionante. Naquele momento de audição, definitivamente, já o tive como uma referência. Nana é uma usina sonora, um mestre na arte da vocalização percussiva e que encontrou na música de Metheny um verdadeiro oásis para essa expressão, melódica e rítmica, como se ouve também nos extraordinários álbuns “As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls” (1981) e Offramp (1982), todos também gravados pela ECM.

Juvenal de Holanda Vasconcelos nasceu em Recife em 2 de agosto de 1944.
Nana Vasconcelos deixa uma extensa discografia, cuja música foi, é, e sempre será genial.

Nana Vasconcelos: 1944-2016

ANTÍTESE

22 fevereiro, 2016
Os guitarristas Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta apresentam o álbum Antítese, o segundo do duo, trazendo um repertório totalmente autoral em que elementos experimentais são criados no momento da execução, fazendo uso de jogos de improvisação e aplicando partes literalmente livres.
Muita interação entre eles, passeando pelos ritmos brasileiros, a bossa, o jazz moderno, o samba e o groove. Como eles afirmam, a diversidade de timbres é uma das características mais marcantes do duo. Rodrigo Chenta, no canal esquerdo, prioriza a utilização do som acústico de seu instrumento; Ivan Barasnevicius, no canal direito, dá mais ênfase ao som do amplificador. O álbum foi gravado ao vivo, sem overdubs, e o resultado é espetacular, mostrando mais uma vez a nossa música instrumental em estado de excelência.


Com a palavra, Ivan Barasnevicus e Rodrigo Chenta -

“Antítese” é o segundo trabalho do duo. Que aprendizado vocês tiveram nesse tempo tocando juntos?
Rodrigo Chenta: ​Com este tipo de produção musical aprende-se muito sobre arranjo e as diversas possibilidades de execução de uma mesma música. As soluções para esta formação instrumental aparecem mais rapidamente com o tempo, e tudo parece sair mais naturalmente. De uma forma geral, tudo fica mais fácil com o tempo.
Ivan Barasnevicius: ​Certamente aprendemos a ter cada vez mais cuidado com a execução, pois neste tipo de situação tudo fica muito mais aparente. Desenvolvemos também novas soluções para os arranjos não se tornarem repetitivos. Essa busca, sem sombra de dúvida, adicionou bastante para a nossa vivência musical e estudo do instrumento. É algo contínuo, que vamos desenvolver
mais e mais.

Ritmos brasileiros, introspecção e improvisações livres se fazem muito presentes no repertório. Como se deu a concepção desse novo trabalho?
Rodrigo Chenta: Ao concluir que existiam três vertentes neste recente trabalho, como canções mineiras, jogos de improvisação e mais da estética abordada no primeiro álbum gravado, foi fácil chegar no conceito de antítese que já fazia parte do duo implicitamente. A parte gráfica do CD trabalha o conceito de antítese em vários pontos, como a troca das imagens dos integrantes do duo em relação ao logo na capa, as partituras escritas à mão e as com o uso de editores de partituras, os
tempos de duração das músicas, etc. No caso da improvisação livre, ela aconteceu somente na parte B da música “Crossfades”, que é um misto de jogo de improvisação com improvisação livre criado pelo Ivan.
Ivan Barasnevicius: ​De alguma maneira, esse é um retrato das nossas influências no momento da elaboração do trabalho, das coisas que estávamos ouvindo e pesquisando. Embora o conceito de antítese presente no disco seja bastante claro, trata-­se de um processo natural que aconteceu em nossas composições dessa época. Não é algo forçado, assim como a concepção do “Novos Caminhos” também não foi. Certamente o terceiro trabalho trará uma outra proposta, mas que, apesar de diferente das anteriores, certamente reforçará a identidade sonora do duo.

De que forma "Antítese" se relaciona com o primeiro álbum do duo “Novos Caminhos”?
Rodrigo Chenta: O álbum “Antítese” possui grandes diferenças quando comparado com o “Novos Caminhos”, mas possui mais do que aconteceu no primeiro CD como o distanciamento do tradicional formato standard nas execuções e improvisações, a preocupação com a diversidade timbrística dos instrumentos, o uso de estruturas muitos distintas dos respectivos temas na hora da improvisação, e outras coisas mais.
Ivan Barasnevicius: ​O disco “Antítese” apresenta um aprofundamento de algumas questões que já foram trazidas pelo duo em “Novos Caminhos”. Por exemplo, a improvisação mais livre já havia sido abordada na música “Contrastes”, peça solo do Rodrigo. Porém, não tínhamos feito experiências mais radicais, como fizemos no segundo disco com “Crossfades” e “Antítese”. A preocupação com a elaboração de melodias cantáveis já tinha acontecido em “Valsa para Ana” e “Novos Caminhos”, mas certamente aconteceu em maior escala no segundo trabalho, com os dois temas de “Suite#1”, “Faça­-se a luz!” e “Nove Horas”.

Ivan Barsnevicius Rodrigo Chenta

Há uma referência no título do tema “Suite #1” ao guitarrista Derek Bailey, um ícone da improvisação livre. O quanto esse movimento inspira a música de vocês? 
Rodrigo Chenta: Esta é uma homenagem do Ivan para o Derek Bailey, o guitarrista que mais levantou esta bandeira. Particularmente, me interessa bastante esta sonoridade muito abordada pelo ingleses como Evan Parker, Han Bennik, Gavin Bryars e todo o catálogo da gravadora britânica Incus. É uma proposta bastante radical na quebra de paradigmas e que leva a improvisação a um nível com muito mais liberdade. Já havia gravado no disco “Novos Caminhos” uma improvisação chamada “Contrastes”, que, apesar de ter alguns idiomas, é bastante livre quanto ao ritmo, notas, forma e convencionalidade na maneira de execução do instrumento. A citação de "Donna Lee" é uma brincadeira que os dois gostam muito de fazer. Somente para falar das minhas, na música “Novos caminhos 2” citei no meu primeiro solo “Fear of the Dark” do Iron Maiden, e no improviso da coda na mesma música citei “Question and Answer” do Pat Metheny e “Valsa para Ana” do Ivan Barasnevicius. Isso é muito comum de se ouvir nas improvisações aqui no Brasil. É uma brincadeira muito saudável.
Ivan Barasnevicius: ​Quando pesquisávamos sobre a sonoridade do Derek Bailey, um disco que chamou muito minha atenção foi Ballads (2002). Veja a maneira como ele trata tão conhecidos standards como “Body and Soul” e “Stella By Starlight”. Me parece mais ousada do que ele o que ele fez em discos como "Pieces for Guitar" (1966) ou "Guitar, Drums’n’Bass" (1996). É um tratamento bastante violento para estas belas composições sobre as quais os músicos normalmente gostam de fazer belos solos; e isso foi bastante impactante para mim. Quando estava compondo “Suite#1”, comecei a pensar de que forma poderia trazer a concepção de Derek Bailey para esta peça. A melodia do primeiro movimento é bastante marcante, e seria um chorus muito confortável para improvisar, mas essa seria uma solução usual. Então pensei em colocar no segundo movimento da “Suite#1” algo bastante caótico: uma guitarra improvisando frases rápidas e sem uma tonalidade pré­ definida, enquanto que a outra deve improvisar utilizando apenas harmônicos naturais. Tudo sem nenhuma relação aparente com o tema inicial. A minha citação de "Donna Lee" acontece de forma proposital, e funciona como um aviso: a partir dela, o Rodrigo deve improvisar utilizando somente harmônicos naturais. Vale lembrar também um procedimento presente nessa composição que remete ao conceito não-­standard citado pelo Rodrigo anteriormente. Se olharmos para “Suite#1 (For Derek Bailey)” como uma peça só, veremos que temos um tema no começo, um jogo de improvisação no meio e no final outro tema diferente do existente no começo da peça, ou seja, o oposto do que acontece normalmente, quando o mesmo tema é tocado no início e no fim da peça.

Para essa sessão, como se deu o processo de gravação e que equipamentos usaram? 
Rodrigo Chenta: Usei uma guitarra acústica com encordoamento flat .013 e com ação das cordas bastante alta. Isso reflete na tocabilidade do instrumento e na sonoridade almejada. Foi utilizado um amplificador transistor microfonado mais o som de linha apenas para acrescentar se necessário. No entanto, o som no meu caso, veio principalmente dos microfones sendo um na frente da guitarra para que houvesse a captação do som acústico do instrumento e outro para ambiência da sala. Gravamos tudo ao vivo mas em salas separadas para preservar ao máximo o timbre de cada guitarra e não ter vazamentos indesejados. Em relação aos efeitos usamos apenas um leve reverb.
Ivan Barasnevicius: ​Utilizei uma única guitarra acústica com encordoamento do tipo flat .011. Utilizo a ação das cordas baixa, de forma a facilitar o meu trabalho, mas não em um nível onde tudo fica muito fácil de trastejar. Gravei o disco todo com apenas um amplificador transistorizado de 130w com dois falantes de 12”. Embora o André Ferraz tenha usado um microfone para captar a ambiência da sala, um na frente da guitarra e mais um na frente do amplificador, este último teve de longe a maior importância. Muitos guitarristas de jazz costumam fechar o tone da guitarra para obter um som mais aveludado e utilizar em diferentes níveis o botão de volume da guitarra para alterar o ganho. Normalmente utilizo o tone e o volume sempre abertos, e neste trabalho com o duo o captador utilizado é sempre o do braço. Uso apenas a mão direita para variar a dinâmica.

Obrigado Ivan e Rodrigo, e sucesso.



Você pode adquirir o álbum na CDBaby,com
www.rodrigochentaeivanbarasneviciusduo.com

Leia também -

Novos Caminhos O espaço-tempo de Ivan Barasnevicius

PAISAGEM SONORA, PELAS MÃOS DO GUITARRISTA EUDES CARVALHO

13 fevereiro, 2016
A palavra soundscape, de origem inglesa, refere-se a um dos elementos da ambientação acústica. O termo foi criado pelo compositor e ambientalista canadense Murray Schafer, cuja ideia consiste, em resumo, na percepção dos sons naturais, nas expressões sonoras dos seres vivos e os sons originados pela indústria tecnológica; enfim, tudo que pode ser sensibilizado pelo ouvido humano. A definição do termo foi padronizada pela ISO (International Organization for Standardization) em 2014.

Eudes Carvalho, guitarrista, violonista e compositor, protagoniza essas formas sonoras com o lançamento de seu primeiro álbum solo, Paisagem Sonora.
Natural de Brasília, iniciou na música ainda adolescente guiado pelo som do rock, da mpb e do pop, mas foi na Escola de Música de Brasília que descobriu o jazz e fez dele seu principal meio de expressão. Mestre pela própria universidade, partiu para a América e ingressou na University of Louisville, motivado por um programa de intercâmbio do governo brasileiro, e lá teve a oportunidade de estudar ao lado de Eddie Gomez, Lionel Loueke e Jamey Aebersold, entre outros.
Eudes também é integrante do grupo BeJazz.


Com pleno domínio da linguagem do jazz e com registro bem clean da sua guitarra, Eudes Carvalho apresenta em Paisagem Sonora um repertório de 11 composições, 7 autorais, em que mostra a força do nosso instrumental contemporâneo nos temas "Seu Olhar", "Amanhã" e "O Prazer de Viver" (Eudimar Braga, Eudes Carvalho); e nas belíssimas baladas "Saudade", "Novembro" (Naiara Lima) e "Bye Bye Brasilia" (Paulo André Tavares). O traço jazzístico aparece forte em "Avenida Sucupira", "SG4" e "4th St"; carrega o blues a la Wes em "Terça na Pinguela" (Jonathan Gardner); e traz um ar mineiro em "Minha Fotografia da Serra Dourada" (Hamilton Pinheiro).
Um belo registro da nossa música instrumental, em que Eudes Carvalho traz ao seu lado o contrabaixista Oswaldo Amorim, o pianista Misael Silvestre e o baterista Pedro Almeida.

Com a palavra, Eudes Carvalho -

O quanto é desafiador lançar um álbum de música instrumental por aqui?
Lançar um disco instrumental no Brasil é um desafio gigantesco, quem já viveu isso sabe do que estou falando. Este desafio começa na captação de recursos financeiros, e se estende por todo o processo - desde a gravação até a prensagem do CD e durante a divulgação e lançamento do trabalho, fase esta na qual me encontro no momento. Neste trabalho contei com a ajuda de muitos amigos e de pessoas que realmente acreditaram no meu som. Tenho que ressaltar  também a importância da Secretaria de Cultura e do Fundo de Amparo a Cultura do Distrito Federal (FAC-DF); fui contemplado no Edital Cassia Eller e isto me ajudou na captação de recursos financeiros para a realização do projeto.

Fale um pouco sobre os músicos que o acompanham no álbum.
São grandes amigos e a participação deles na gravação deu um toque especial. O responsável pelos pianos, Misael Silvestre, é um grande músico da cidade e possui uma forma pessoal de tocar e se expressar; na bateria, Pedro Almeida trouxe toda a fluência musical que possui, o que ajudou na construção da concepção do trabalho; e Oswaldo Amorim no contrabaixo acústico, intitulado entre os melhores contrabaixistas do Brasil, músico ativo no cenário musical brasiliense, foi meu professor na Escola de Música de Brasília e teve papel fundamental na minha formação musical.


O jazz se tornou predominante na sua formação. Que influências você carrega na sua música?
Eu tive meu primeiro contato com a música por volta dos 16 anos ouvindo rock e mpb, mas foi na Escola de Música de Brasília (EMB) por influência do professor Genil de Castro que descobri o jazz e comecei a me dedicar ao estilo. Mais pro fim do curso na EMB, tive contato com outro músico aqui de Brasília muito importante na minha formação chamado Paulo André Tavares, ele trouxe o lado do violão brasileiro me apresentando músicos como Toninho Horta, Hélio Delmiro e Lula Galvão. As minhas principais influências são os grandes músicos de jazz como Bill Evans, Jon Coltrane e Miles Davis, mas não posso deixar de lado músicos brasileiros como Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Victor Assis Brasil, Milton Nascimento e Toninho Horta, que sempre me fascinaram com suas composições. Sobre os guitarristas de jazz sempre me chamou muita atenção aqueles que tocam com guitarras acústicas ou artchops estilo 175 ou L5. Acredito que, principalmente, por causa da sonoridade clássica da guitarra jazz. Os mais importantes na minha formação são Wes Montgomery, Jim Hall, George Benson e Pat Metheny, sendo que ultimamente tenho ouvido muito Peter Bernestein e Lage Lund.

Muito importante ter composições próprias, é a veia criativa em processo de transformação.
Como você trabalha o processo de composição?
Grande parte das minhas composições acontecem quando estou praticando. Geralmente a composição nasce a partir de algum motivo melódico, rítmico ou sequencia harmônica que chama a  minha atenção. A partir disso começo  a desenvolver a composição, realizo diferentes harmonizações para a mesma melodia até chegar a uma combinação que soe bem aos meus ouvidos. Procuro então, uma forma para a composição que me agrade e escrevo na partitura. Ao ouvir o trabalho, as pessoas mais acostumadas a ouvir musica instrumental e jazz vão perceber que algumas das composições possuem os formatos clássicos de standards de jazz. Além da consagrada forma AABA, algumas composições possuem o formato dos standards de jazz de 32 compassos ou do blues de 12 compassos; em outras faixas eu simplesmente optei em não seguir forma alguma deixando a música acontecer, realizando assim uma mistura de compassos e formas.

Que equipamentos usou nessa sessão de gravação?
Eu utilizei basicamente duas guitarras - uma Ibanez AF 105 com ponte de madeira e uma Gibson 175. Em uma das faixas gravei com um violão Godin Grand Concert Duet Ambiance, Sobre efeitos, utilizei um reverb Holy Grail da Electro Harmonix e em algumas faixas um delay Kronos da Fire. Utilizei amplificadores Fender e Roland.

Obrigado Eudes Carvalho, e sucesso.

Você encontra o álbum Paisagem Sonora nas principais plataformas digitais como iTunes, Google Play, Amazon. O disco físico pode ser adquirido entrando em contato direto com Eudes pelo site www.eudescarvalho.com

A NOVA ONDA DO VIOLINO: ZACH BROCK

10 janeiro, 2016
Instrumento de origem clássica, o violino ampliou sua fronteira no século passado e se inseriu no jazz em várias formas. Desde Stuff Smith, violinista da era do swing, ao Quintette du Hot Club de France liderado por Stephane Grapelli ao lado do guitarrista Django, que o instrumento vem ganhando novos rumos; e Grapelli, sem dúvida, tornou-se uma referência e influenciou as gerações seguintes, por sorte muita criativa, que deram nova textura ao movimento do jazz que insistia em se transformar e formar novos públicos. Na passagem dos anos 60 para os 70, o instrumento ganhou destaque nos nomes de Jerry Goodman, Jean-Luc Ponty e Zbigniew Seifert, que inflamaram a febre do jazz-rock nesse período. Mais tarde surgiram os nomes de Didier Lockwood, Daror Anger, Christian Howes, Nigel Kennedy e Regina Carter, entre outros, cada um na sua própria onda - do experimental ao jazz.


O contemporâneo violinista Zach Brock mantém esse legado, com o aval de Ponty, que não teve dúvidas ao citar o nome de Brock quando questionado pelo baixista Stanley Clarke sobre quem se destacava no instrumento no cenário atual.
Brock cresceu na cidade de Lexington, Kentucky, e começou o estudo do violino aos 4 anos de idade. Quase perdeu a vida ao ser atropelado quando andava de bicicleta, o que o levou a uma lenta recuperação deixando-o fisica e emocionalmente instável e sem estima pela vida e pela música. Mas ainda assim tinha o violino como uma válvula de escape enquanto recuperava-se na casa de seus pais.

Seu interesse pelo jazz o fez mudar-se para New York em 2005. Tomando gosto pelo violino de 5 cordas, instrumento transformado na onda do jazz-rock, recebeu de Stanley Clarke um vital conselho para que focasse no instrumento de 4 cordas, o padrão desde o século 16 quando o mesmo foi criado. Outras grandes inspirações de Brock são o guitarrista Pat Martino, que foi seu professor e quem o ensinou a se tornar mais expressivo com o instrumento e ser um verdadeiro líder de grupo, e o pianista Phil Markowitz, que mostrou a ele como compor fazendo a fusão do jazz com o clássico. Com Markowitz, gravou o álbum "Perpetuit" (2014), que contou com os baixistas Jay Anderson e Lincoln Goines, o baterista Obed Calvaire e o percussionista brasileiro Edson "Café".

Almost Never Was Serendipity Purple Sounds

Pela gravadora Criss Cross, lançou três álbuns geniais - "Almost Never Was" (2012), ao lado de Aaron Goldberg, Matt Penman e Eric Harland; "Purple Sounds" (2014), em uma referência aos trabalhos de violinistas com guitarristas na era jazz-rock, em que se destacam Ponty e Seifert, convidando o guitarrista Lage Lund ao lado de Matt Penman e Obed Calvaire; e "Serendipity" (2015), novamente com Goldberg, Penman e Harland, em um repertório que visita Ponty, Charlie Parker e Leonard Bernstein, além de temas autorais.


www.zachbrock.com/

A IGOR PRADO BAND É NOMEADA PARA A PREMIAÇÃO DO BLUES MUSIC AWARDS

18 dezembro, 2015
A edição 37 do Blues Music Award, que acontecerá em maio de 2016 em Memphis, terá pela primeira vez um tempero brasileiro na cerimônia de premiação – a Igor Prado Band está nomeada com o álbum Way Down South na eleição de destaque entre novos artistas, em que também concorrem os guitarristas Eddie Cotton, Mighty Mike Schermer, Mr. Sipp e Slam Allen.


Mais que merecida essa nomeação, afinal o guitarrista Igor Prado é uma referência brasileira no assunto na terra do blues; e Way Down South já encabeçou o ranking da audição nas rádios de blues americanas de acordo com a publicação Living Blues.
O álbum foi lançado pela Delta Groove Music, e é dedicado a Lynwood Slim, que faleceu em agosto de 2014; o próprio está presente em 2 faixas do álbum, que foi seu último registro em estúdio.
Parabéns Igor Prado, Yuri Prado e Rodrigo Mantovani.

O evento Blues Music Awards é promovido pela Blues Foundation, fundada em 1980, e tem como objetivo preservar a herança do blues e garantir o futuro desta forma de arte americana que influencia artistas de todo o mundo. A premiação elege os destaques em 24 categorias, entre álbuns históricos e contemporâneos, vozes, instrumentistas, canção e se estende também à soul music, além de reverenciar prêmios a B.B. King, Koko Taylor e Pinetop Perkins. É um grande evento.
Para mais informações sobre o Blues Music Awards, acesse www.blues.org

Conheça o álbum Way Down South -

Way Down South

A LIVRE FORMA DAS GUITARRAS

12 dezembro, 2015
A guitarra no jazz é algo fascinante, está sempre se renovando e, principalmente, inovando. Vários nomes surgem no cenário a todo momento, cada um com estilo e técnica muito particulares, e o melhor é que não se deixam levar em copiar aqueles que tanto os influenciaram.
Julian Lage e Mary Halvorson são dois desses nomes que me chamam atenção há um bom tempo. Ambos já tem identidade própria e, alcançados um nível elevado de maturidade musical, registraram álbuns de guitarra solo muito interessantes.

World's Fair Meltframe

Julian Lage foi um dos integrantes da nova geração promovida pelo vibrafonista Gary Burton, este que sempre abriu espaço para guitarristas no início de suas carreiras como Larry Coryell e Pat Metheny. O álbum “Generations” (2004) foi uma grande vitrine para Lage, que mais tarde ainda viria a participar nos álbuns “Next Generation” (2005), “Common Groud” (2011) e “Guided Tour” (2013).
Lage, além da sua formação clássica, é formado pela Berkelee, o que lhe dá uma grandeza de vocabulário jazzístico, rico em harmonias e dinâmicas. Além de seus trabalhos como líder – "Sounding Point" (2009) e "Gladwell" (2011), registrou duos com os pianistas Taylor Eigsti e Fred Hersch, e com o guitarrista Nels Cline em uma abordagem totalmente livre.
World´s Fair (2015) revela Lage como mais que um músico puramente jazzista, explorando o instrumento acústico em improvisações livres com uma abordagem impecável, abrindo mão dos tradicionais standards e revelando um trabalho bastante original. Para ele, o resultado foi inspiração do violonista espanhol Andres Segovia.
Nessa sessão, Lage usou um Martin 000-18, sem overdubs; e no repertório 12 composições em que viaja por lugares como  “Peru”, “Japan” e “Missouri”, e nos transporta pelo tempo e espaço em “Century”, “Day and Age” e “Where or When”. Um belo registro intimista em que a sonoridade acústica é protagonista.
www.julianlage.com/



Mary Halvorson é uma das fieis representantes da improvisação livre na guitarra contemporânea, o que torna sua música muito interessante pois, muito além da abordagem criativa, traz uma riqueza de intervenções melódica e harmonicamente complexas.
Sua relação com o instrumento começou na adolescência quando ouviu Hendrix, o que talvez explique a origem de sua forte pegada no instrumento. Sua aproximação com o jazz deu-se quando começou a ter aulas com um professor que tocava o estilo, e assim conheceu a música de Anthony Braxton, a quem ela tem como seu mentor e quem a ensinou a focar na criatividade e a encontrar sua própria voz.
Além de seus trabalhos como líder - "Reverse Blue" (2014), "Ghost Loop" (2013), "Illusionary Sea" (2013), "Bending Bridges" (2012), "Saturn Sings" (2010) e "Dragon’s Head" (2008), sua guitarra tem registro em uma extensa discografia, em diversas formações. Sempre questionada sobre a criação de um trabalho solo, Halvorson queria mais do que simplesmente realizar um álbum totalmente improvisado.
Meltframe (2015) é  resultado de um estudo introspectivo e da prática de arranjar temas que ela gosta para a guitarra solo, cujo repertório acabou se expandindo além dos tradicionais standards, sem composições autorais, desconstruindo e reconstruindo, do seu jeito, versões de Ellington, Ornette Coleman, Oliver Nelson, Annette Peacock, e Roscoe Mitchell. Sempre abraçada com sua archopt Guild Artist, Halvorson explora ao máximo a sonoridade acústica do instrumento, em que, além de microfonar seu amp Princeton Reverb, aplica os microfones sobre as cordas e no ambiente.
www.maryhalvorson.com/

CANÇÃO PARA TEMPOS MELHORES

02 dezembro, 2015

Genuinamente jazz.
Assim é o novo trabalho do trompetista Daniel D'Alcântara, intitulado Canção para Tempos Melhores.
Talento e criatividade não faltam para esse extraordinário músico, muito atuante no cenário instrumental brasileiro, que, além do seu trabalho solo, também é integrante da Soundscape Big Band.

Com uma família de origem muito musical, Daniel D'Alcântara tem em seu pai, também trompetista, uma grande influência, e é dele suas lembranças musicais mais antigas, afinal foi quem o ensinou solfejo e teoria musical quando tinha cinco anos de idade; e essa fonte de inspiração vem de gerações pois seus bisavós tocavam em salas de cinema mudo, o avô em orquestras de baile e os tios baterista e saxofonista.
Daniel formou-se no instrumento pela Escola de Comunicação e Artes da USP; e acredita que o estudo é fundamental para a excelência, diz ele – "Se o músico não gostar de ocupar muitas horas com sua música, e de descobrir sua maneira de tocar, não irá muito longe."

"Canção para Tempos Melhores" traz Daniel D’Alcântara ao lado de Vitor D’Alcântara, seu primo, no tenor e soprano, Edson Santana no piano Rhodes, Bruno Migotto no contrabaixo e Cuca Teixeira na bateria.
A formação em quinteto é a preferida de Daniel, carregando a influência dos quintetos de Miles Davis, primeiro e segundo, no hardbop de Horace Silver e no Jazz Messengers liderado por Art Blakey.
O grupo está muito entrosado, já tocam juntos há bastante tempo, inclusive na formação da Soundscape Big Band; e um repertório contagiante em 6 composições que Daniel assina 3 delas - "Samba Viscoso", "SanMagno" e "Ilha Bela"; as demais ficam com a assinatura de Bruno Migotto em "Bode On", Alexandre Mihanovich em "Nestico" e Gustavo Bugni no tema título.


danieldalcantara.com/