OS SONS DA ÁFRICA E O BLUES SOMADOS POR ADRIANO GRINEBERG

25 agosto, 2014
Uma característica muito marcante na arte musical africana é a expressão vocal, os vocalizes, o que representa uma identidade muito forte, e que, na verdade, são músicas corais feitas para várias vozes.

Blues for Africa é uma homenagem a Africa, de norte a sul, uma leitura sobre essa forte musicalidade, a língua e seus dialetos, tão característica e tão original. Em suas viagens pelo continente, o pianista Adriano Grineberg explorou essas nuances e fez uma adaptação de forma rítmica, percebendo que muito da música que se faz por lá tem influência e origem em New Orleans, na origem no Blues, nos Spirituals e na música Gospel.

Adriano Grineberg

A África tem várias e fortes referências musicais, entre elas - Ali Farka Touré, que mescla a música do Mali com o Blues; Bombino, que faz um Blues muito de raiz; e Soweto, que serviu de inspiração para Paul Simon no trabalho Graceland, quando deu visibilidade aos músicos dos guetos.
Blues for Africa nos dá mais uma dimensão neste universo, em que Grineberg colocou a sonoridade do contrabaixo acústico para dar uma atmosfera muito particular.
O álbum abre com "Iko Iko", um tema originado de New Orleans com forte raiz africana, cujo refrão original é cantado parte em creole e parte em lingua indígena.
Gribenerg também traz material da Nigéria, presentes nos temas “Chimo” e “Ekenemu Uwa”, com a participação do compositor nigeriano Rex Thomas, em uma forte parceira em que Thomas compõem em sua lingua nativa, Igbo, e Grineberg soma com a melodia.
Interpreta tradicionais hinos gospel zulu, como "Jikelele", "Akeko", "Kumbaya" e "Syahamba", da primeira metade do século passado; e apresenta a música do norte da Africa em "Toareg Blues", uma homenagem ao povo Tuaregue, muito influentes e presentes de cultura árabe e islâmica, em cuja música o negro entoa o canto de uma forma muito particular, uma evocação. Uma referência ao Sufismo, a divisão mais espiritualizada do Islamismo, cujo povo está ou no Paquistão e Egito ou no Mali, nos extremos, e tem a dança, a música e a arte como forma de atingir a elevação espiritual.
Ainda revisitou Bob Marley em "3 Little Words", com a participação da harmônica de Vasco Faé.

Blues for Africa é uma música universal, que não se define como um trabalho especificamente de Blues, mas que se utiliza desta linguagem como forma de expressão.
A produção do album é de Adriano Grineberg, que faz as vozes, piano, hammond e escaleta, e tem ao lado a guitarra e os violões de Edu Gomes, o contrabaixo de Rodrigo Jofre e a bateria de seu irmão Sandro Grineberg; e ainda convidados muito especiais na voz de Graça Cunha, no contrabaixo de Fábio Sá, na bateria de Daniel Lanchinho e ma percussão de Michelle Abu.


adrianogrineberg.com.br/

O QUE ROLOU NA SEGUNDA SEMANA DO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES 2014

18 agosto, 2014
Mais um final de semana com muita música no Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras.
E quem abriu a noite de sexta-feira foi o tecladista Adriano Grineberg, na carona do lançamento de seu novo album - "Blues for Africa", em que coloca a tradição e cultura africanas numa fusão com o Blues e com todas as tendências. Fez um tributo aos orixás e as forças da natureza, evocados em vocalizes, e, além dos temas do novo album, destacou a tradicional e contagiante "Walking by Myself" (Jimmy Rodgers) e "What´d I Say" (Ray Charles).


Única representante feminina nesta edição do festival, a violonista Badi Assad subiu ao palco ao lado do percussionista Marcos Suzano. Apesar de ambos terem participado de muitos trabalhos em estúdio, esta foi a primeira vez que estiveram juntos no palco. Abriu com o tema "Pega no Côco", composição que deu a ela o prêmio de composição no International Songwriting Competition. Ainda em destaque no repertório, "Básica"; o clássico do Eurythmics "Sweet Dreams are Made of This"; e uma belíssima "Ponta de Areia", em que fez uso de harmônicos e uma citação de "Asa Branca" em seus improvisos vocais percussivos, característica muito particular de Badi. Dedicou parte da apresentação em performance solo, interpretou Blues e Country, e falou sobre seus novos trabalhos - "Amor e Outras Manias Crônicas", dedicando aos casais que se amam e se odeiam; e "Cantos de Casa", seu primeiro album para o público infantil, e como todos nós somos crianças, colocou toda a platéia para cantar "Qualquer Coisa por Voce".

Seguiu a noite com uma das novidades do festival, a holandesa The Jig, um super septeto trazendo um naipe de metais com barítono, tenor e trompete e os integrantes muito divertidos, carregando uma forte pegada Funk setentão com muito groove. Animou o público.
E o tão esperado Randy Brecker chegou com uma apresentação bem fusion, acompanhado pelo excelente Barry Finerty na guitarra, nosso grande Andre Vasconcelos no baixo elétrico, Oli Rockberger teclados e Rodney Holmes bateria. Brecker fez muito uso de efeito no sopro, alterando um pouco a sonoridade do instrumento; e deu muito espaço para o o guitarrista Finerty. Relembrou os Brecker Brothers em "Above and Below" e seu clássico "Some Skunk Funky", com direito a um espetacular solo de André Vasconcelos.


E a noite de sexta-feira fechou com o Blues-Rock incendiário do guitarrista Popa Chubby. Conquistou o público logo nos primeiros ataques da guitarra, uma Strato bem surrada, usando e abusando da linguagem do Blues. Sentado por quase toda a apresentação, teve ao lado o baixista Francesco Beccaro e o baterista Richie Monica. Popa fez bastante uso do wha-wha e da microfonia, brincou com a introdução de "Stairway to Heaven", mandou "Hey Joe" (Hendrix), o clássico "Further up on the Road" (Bland) e fez um eletrizante leitura do Mágico de Oz em "Somewhere Over the Rainbow" (Arlen). Ainda mostrou destreza na bateria, dialogando com Francesco e Monica na base do improviso, e jogou as baquetas para o público. Fechou a apresentação com "Hallelujah" (Cohen). No palco de Iriry, a mesma vibração.

Sábado pela manhã, Zuzo Moussawer mandou a chuva embora e empolgou o público da Praça São Pedro. Ao lado do guitarrista Mauro Hector e do baterista Plinio Romero, Zuzo mostrou-se um mestre do tapping, e desfilou um contagiante repertório instrumental passeando pelo Choro, R&B e Jazz. Fez, em sua performance solo, 'Stela by Starlight" (Young) e "The Chicken" (Jaco); abraçou um contrabaixo double-neck, cantou "Superstition" (Wonder) e fechou com o standard "Freddie Freeloader" (Miles).
Cheguei de noite no palco principal na apresentação da big band Rio Jazz Orchestra liderada pela voz da Taryn Szpilman que, com um repertório no melhor do swing das grandes orquestras de Jazz, interpretou "'It Don´t Mean a Thing" (Ellington) e "The Song is You" (Kern). Chamou ao palco o guitarrista Toninho Horta, que mandou uma homenagem a Moacir Santos com "Nana" e resgatou do seu repertório os temas "Beijo Partido" e "Diana". Taryn fez um tributo a Stevie Wonder com "For Once in my Life" e "Sir Duke", e fechou a apresentação no melhor estilo das big bands com "In the Mood" (Miller).


A noite seguiu com o power trio formado por Scott Henderson, Jeff Berlin e Billy Cobham, e foi uma das apresentações mais intensas do festival, uma verdadeira jam de fusion com Henderson em uma noite muito inspirada, tocou um absurdo. Não sobrou espaço vazio na apresentação, mantendo a atenção do público por todo o tempo, sobrando improviso para todo lado. O mestre Cobham segurou a onda pela ausência de Dennis Chambers, e no repertório destaque para a abertura com uma invocada versão de "Equinox" (Coltrane), e ainda "Black Market" (Weather Report) e "Come Together" (Beatles).
Uma verdadeira pedrada essa apresentação, literalmente "quebraram tudo".

E a grande atração do festival, sem dúvida, foi o nome de Al Jarreau. Muito simpático, muito à vontade e muito feliz com o público que lotou a cidade do Jazz em Costazul, que curtiu o repertório de alguns de seus clássicos como "Mornin" e "Black and Blues". Levou a apresentação para um lado intimista ao lado do violão de John Calderon interpretando "Só Danço Samba" (Jobim), desenhou improvisos vocais e fez o púbico cantar empolgado "Mas Que Nada" (Benjor). Teve seu momento jazzy com "Better than Anything", trouxe o baixista Chris Walker para cantar junto, falou sobre seu novo trabalho em tributo a seu amigo George Duke e, como não podia faltar, fechou a apresentação com "Your Song" (Elton John), levando o público ao verdadeiro delírio. Um showman !

E a noite fechou com a empolgação da Rockin' Dopsie Jr. & The Zydeco Twisters, que deixei para curtir no incendiado palco de Iriry. E realmente se houve uma reencarnação de James Brown, ela se deu na Louisiana. Rockin' Dopsie Jr fez um verdadeiro bailão e colocou todo mundo dançando com versões empolgantes de Creedence, Beatles, James Brown, citações dos Jackson Five e Michael Jackson, Prince, Stevie Wonder e um verdadeiro medley de Rock´n´Roll cinquentão. Um super grupo que traz acordeon e washboard na formação, além dos metais, sem deixar de lado o tempero de New Orleans, berço do grupo.
Uma festa !


No domingo pela manhã, o saxofonista Glaucus Linx e grupo levou seus Spirituals Blues no palco da Praça São Pedro. Artista em ascensão na capital carioca, Glaucus coloca muita raiz africana em sua música e faz questão de expressar essa magia e a espiritualidade com o público, principalmente nas baladas; e fez seu tributo a Dave Brubeck com uma versão invocada de "Take Five". Super show !

E, como sempre, já aguardamos a edição de 2015. Pela aceitação do público, que manteve uma boa regularidade nos dois finais de semana do festival, podemos esperar que esse novo formato em duas semanas permaneça. Tanto a produção como a prefeitura de Rio das Ostras não acreditam que esse formato possa esvaziar ou promover uma perda do interesse do público devido ao deslocamento dos que residem fora do estado.
E assim vamos aonde está a boa música.
Até a próxima !

Confira o que rolou na primeira semana do Festival -

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O QUE ROLOU NA PRIMEIRA SEMANA DO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES 2014

11 agosto, 2014
E teve início mais uma edição de um dos maiores, e melhores, festivais de música da América Latina que, ganhando cada vez mais público e visibilidade na grande mídia, coloca em pauta a discussão de promover outras tendências que não estão inseridas na identidade do evento. Uma iniciativa um tanto controversa, afinal é um evento que leva cultura e diversão para a população, independentemente de idade e gosto musical, além de movimentar muito a economia da cidade promovendo a hotelaria, o comércio e o artesanato local.

Muito atraso na abertura do evento este ano, e a Orquestra Kuarup subiu ao palco principal quase às 11 da noite, mas basta soar os primeiros acordes para que o tempo pare e a curtição da boa música prevaleça.
Como todos os anos, a Kuarup, liderada pelo maestro Nando Carneiro e os convidados David Ganc e Mario Seve nos sopros, realizou seu tributo aos grandes mestres da nossa música, e desta vez a orquestra de jovens músicos locais fez homenagem a Dorival Caymi. Abriu os trabalhos com a interpretação do tema 'Milagre", e trouxe ao grupo a apresentação da Companhia de Dança Bahia Formosa, formada na cidade. Ainda no repertório, versões de Jobim em "Chovendo na Roseira" e "Aguas de Março", e Donato em "Bananeira".
Carlos Malta deu seguimento na noite com seu Pife Muderno, formado por Aline Gonçalves nos sopros e pífano, e os percussionistas Marcos Suzano, Bernardo Aguiar, Oscar Bolão e Rodolfo Cardoso. Muito ritmo brasileiro e muito entusiasmo no palco, agradando o público com um repertório bem regional, resgatando Jackson do Pandeiro (Canto de Ema), Gil (Chiclete com Banana), Edu Lobo (Ponteio) e Gonzagão (Asa Branca), além das performances individuais de Suzano e Aguiar nos pandeiros, este último que fez até uma citação do tema da "Pantera Cor de Rosa" na pele de couro. Malta é sempre fantástico, um dos nossos grandes e vibrantes instrumentistas, e seu show com o Pife Muderno é sempre muito animado.

Rio das Ostras Jazz e Blues

E uma das grandes e esperadas atrações do festival subiu ao palco - o baixista Marcus Miller.
Abraçado com seu Fender Jazz Bass, teve ao lado um grupo de jovens músicos da cena do Jazz contemporâneo - Alex Han no sax, Lee Hogans no trompete, Brett Williams nos teclados, Adam Agati na guitarra e o incendiário Louis Catto na bateria; e não podia ser diferente - uma apresentação sensacional.
No repertório, "Detroit", “Dr Jekyll and Mr Hyde”, "Blast" e “Run For Cover”, tema que gravou com David Sanborn, com quem tocou por muito tempo. Ainda deu espaço para sua performance solo no Clarinete Baixo, dando um ar quase intimista na apresentação. E não deixou espaço vazio - vibrou, dançou, conduziu os improvisos dos jovens músicos Alex, Lee e Agati, mandou muito slap e com o suporte rítmico do excelente baterista Louis Catto, fez, em uptempo frenético, um empolgante walking usando somente a técnica do polegar. Um showzão, apesar de relativamente curto.

Com o atraso inicial da noite, já passava das 4 da madrugada e não fiquei para o show instrumental do guitarrista Pepeu Gomes, a quem vi na tarde de sábado no intenso e vibrante palco de Iriry. Arena cheia, mesmo debaixo de muita chuva, Pepeu não deixou a galera desanimar desfilando um repertório bem brasileiro com sua pegada Rock na guitarra. No palco, os irmãos Didi e Jorginho, baixo e bateria respectivamente, os teclados de Claudio Mendes, mais guitarra base e dois percussionistas; e apresentou o enteado e guitarrista Filipe Pascual, já mostrando muita ousadia na guitarra aos 17 anos. Encerrou a apresentação com a contagiante "Chicana", a la Santana, voltou pro bis com muita vontade atacando com o clássico "Malacaxeta", tocou o Hino Nacional e, na base do improviso, mandou "Satisfaction" dos Stones colocando o público em um verdadeiro frenesi; e ainda abraçou a guitarrinha baiana no frevo "Vassourinha". Mais uma vez, e como sempre, a arena de Iriry pegou fogo.
Não assisti a apresentação de Marcus Miller no palco da Tartaruga, mas quem lá esteve viu uma apresentação mais completa, em que rolou as versões de "I'll be There", "Come Together" e a tão esperada "Tutu".

Rio das Ostras Jazz e Blues

A segunda noite teve a abertura da excelente Afro Jazz com sua roupagem funky e muito improviso. O grupo ganhou destaque na boemia da Lapa carioca e trouxe os sopros de Eduardo Santana no trompete e Oswaldo Lessa no sax, e a base de Sidão Santos no baixo elétrico, Felipe Chernicharo na guitarra e Thiago Silva na bateria, além de dois percussionistas. Com muito rítmo e muito groove, destacaram-se na abertura com "Afro Blue" (Coltrane), homenagearam Moacir Santos com "Coisa No 4" e citaram "Zaratrusta" (Deodato), tudo com uma pegada muito forte. Ao final, Eduardo Santanda assumiu a bateria e Thiago as vozes para mandar um Rap, e encerraram ao som de Ska. Super banda e um super show!
O Blues elétrico e moderno com um tanto de pegada Soul sobiu ao palco nas mãos do guitarrista e vocalista Larry McCray e quarteto formado por Kerry Clark no baixo elétrico, Steve Boone nos teclados e Steve McCray na bateria. Apesar dos problemas técnicos e imprevisíveís, como a primeira corda de sua Les Paul arrebentada e a pane do amp Fender, fez um show muito honesto e com passagens muito interessantes.

A expectativa era o nome de Raul Midón. Particularmente, não esperava muito por esta apresentação, ainda mais se tratando de uma apresentação solo no meio de dois grandes nomes do Blues. Mas não foi o que ocorreu, e quando esses momentos nos surpreendem, o registro fica para sempre.
Mídón é cego, canta com boa impostação de voz, muitas vezes simulando o sopro do trompete em seus improvisos vocais, e tem muita destreza no violão, alternando entre o aço e o nylon. Fez uso dos bongos em alguns momentos, aplicou muito o uso do tapping e fez do próprio violão também um instrumento percussivo.
Uma apresentação totalmente intimista e emocionante, e que entreteve o público do palco principal com muita sensibilidade, simpatia e muitas histórias. Citou o Reggae nos nomes de Bob Marley, Peter Tosh e Jimmy Cliff; desenhou melodias e improvisou Charlie Parker em "Yardbird Suite" com muita originalidade, mostrando que conhece a linguagem do Jazz. Ainda sentou-se ao piano para interpretar dois temas, quase fazendo o público chorar. Entre muitas de suas histórias, contou que ao conhecer sua esposa disse a ela que "não podia dirigir, mas que podia escrever uma canção"; e mostrou-se grande compositor. Encerrou a apresentação no melhor scat.
Eu fiquei impressionado com o que vi e ouvi, e a minha pouca expectativa transformou-se num dos melhores shows que assisti no festival, acredito que a única apresentação solo de todas as edições.

Rio das Ostras Jazz e Blues

E a noite encerrou com o Blues contagiante na harmônica de Rick Estrin, que trouxe um quarteto muito invocado com Kid Andersen na guitarra, Lorenzo Farrell no Hammond e contrabaixo e o baterista J. Hansen. Estrin mostrou porque levou o prêmio de melhor instrumentista na harmônica em 2013 pelo Blues Music Awards, a maior premiação do Blues, e conduziu a apresentação com base em seu último album "You Asked For It ... Live".
Destaque para o guitarrista Kid Andersen, que dialogou muito com Estrin, fez caras e tocou uma barbaridade em um verdadeiro desfile de riffs e bases. Endiabrado esse Andersen.
Mais um super show para encerrar a primeira semana do festival.

Confira o que rolou na segunda semana do Festival -

Michel Leme DVD Na Montanha

OUSADA E CRIATIVA: MELISSA ALDANA

05 agosto, 2014
Melissa Aldana Crash Trio

A chilena Melissa Aldana começou a tocar sax aos 6 anos de idade, e recebeu as primeiras lições de seu pai, também saxofonista. Naquela época, o estudo era apoiado ouvindo fitas cassetes, e no decorrer do aprendizado seu pai a pediu para escolher um tema que gostasse muito, e a escolha foi de ninguém menos que Charlie Parker.
A ainda adolescente Melissa tinha Cannonball Adderley e Michael Brecker entre seus favoritos, até conhecer o som de Sonny Rollins, e foi então que pediu ao pai para tocar sax tenor.
Aos 16 anos já estava nos palcos dos clubes de Jazz em Santiago, quando soube que o pianista Danilo Perez estaria na sua cidade em turnê local com Wayne Shorter, e ela foi atras dele pois sabia que ele era influente na Berklee College of Music. Cercado pela jovem saxofonista, Danilo Perez a convidou para tocar no Panama Jazz Festival e a ajudou para conseguir uma audição tanto em Berklee quanto no New England Conservatory.
Melissa foi aceita em ambas, e partiu para os EUA.

Assim ela conta - "Eu não fui para Berklee para aprender a tocar sax, isso meu pai me ensinou. Fui para crescer como músico, estar cercada por outros jovens músicos e aprender com os mais experientes."
Após se formar, mudou-se para NY e uma das primeiras pessoas que ela procurou foi o saxofonista George Coleman, que acabou se tornando seu mentor. Gravou seu primeiro album, "Free Fall" (2010), pela gravadora do também saxofonista Greg Osby, Inner Circle. Circulando pelos palcos da big apple, tocou com os grandes, ganhou reconhecimento e partiu para os palcos dos grandes festivais pelo mundo.
Gravou seu segundo album solo, "Second Circle" (2012), ao lado do contrabaixista Joseph Lepore, o baterista Ross Pederson e o trompetista Gordon Au. Formação ousada - sax, contrabaixo e bateria - sem instrumento harmônico, e Melissa creditou isso por, na época, estar ouvindo muito esse tipo de música e este ser o melhor meio dela expressar o que estava pensando, colocando Mark Turner e Tom Harrel entre essas influências; assim ela afirmou em entrevista para o site All About Jazz.

Crash TrioSecond Circle

Em 2013, aos 24 anos, Melissa ganhou o "Thelonious Monk International Jazz Saxophone Competition" por um juri formado por Jane Ira Bloom, Branford Marsalis, Jimmy Heath, Wayne Shorter e Bobby Watson, sendo a primeira instrumentista feminina e a primeira sul americana a ganhar a competição, recebendo ainda um contrato com a Concord Music, por onde lançou seu recente album, "Crash Trio" (2014), também em formação de trio ao lado do contrabaixista chileno Pablo Menares e o baterista cubano Francisco Mela.
A menina é ousada, muito criativa e tem a linguagem do Jazz do jeito que a gente gosta.


melissaaldana.com/

MUTHSPIEL, GRENADIER E BLADE

28 julho, 2014
Driftwood
Brilhante o trabaho do trio liderado pelo guitarrista e violonista austríaco Wolfgang Muthspiel, ao lado do contrabaixista Larry Grenadier e o baterista Brian Blade - Driftwood.
Com uma ampla discografia, Muthspiel já realizou outros projetos com Blade e Grenadier, como em "Air, Love and Vitamins" (2004) e o ousado duo "Friendly Travelers" (2007) ao lado de Blade, e em "Drumfree" (2011) com Grenadier.

Driftwood é o primeiro registro do trio junto e a estréia do guitarrista na gravadora ECM, e o resultado foi espetacular, carregando a característica da atmosfera da gravadora.
São oito composições e Muthspiel alterna no violão acústico e guitarra realizando passagens melódicas ("Uptown" e "Madame Vonn"), instrospectivas ("Cambiata") e um tanto experimental ("Lichzele"e "Highline"), além das belíssimas homenagens para Joe Zawinul ("Joseph") e Michael Brecker ("Bossa for Michael Brecker").
Sobre este trabalho, Muthspiel afirma que quis realçar e ampliar o horizonte da guitarra e ao mesmo tempo aproximar as possibilidades de contraponto de um trio de piano.
Ouça aqui : player ECM Records

Wolfgang Muthspiel nasceu na pequena cidade de Judenburg, Austria, em 1965. Começou estudando violino aos 6 anos e aos 15 abraçou a guitarra. Aos 21 anos partiu para a América, Boston, para estudar na New England Conservatory com o guitarrista Mick Goodrich. Mais tarde foi para Berklee onde gradou-se em 1989 com o título "Magna Cum Laude", com honras. E lá encontrou Gary Burton, que o convidou para integrar seu quinteto, vaga que foi ocupada por Pat Metheny 12 anos antes. Partiu para NY, onde morou entre 1995 e 2002. Junto com seu irmão, o pianista Christian Muthspiel, criou o selo Material Records.

"Wolfgang Muthspiel é uma luz brilhante da geração da guitarra Jazz contemporânea."
(The New Yorker)


OZ NOY LANÇA O SEGUNDO VOLUME DE TWISTED BLUES

17 julho, 2014
Oz Noy

"Se voce não entende o Blues, acho que o que voce está tocando não soará tão bem. É um vocabulário que voce tem que ter se quiser tocar qualquer coisa."

Assim explica o guitarrista Oz Noy, sobre o album Twisted Blues Volume 2.

Seguindo a mesma linha do primeiro volume, pegadas Rock, Blues e Funk predominam neste trabalho, e com convidados muito ilustres em cada uma das 10 faixas do album. Oz Noy está acompanhado por uma super seção rítmica invocada com os baixistas Will Lee e Roscoe Beck, os bateristas Chris Layton, Dave Weckl e Keith Carlock, e os organistas Reese Wynans e Jerry Z. Ainda Lew Soloff no trompete e o multi-instrumentista Giulio Carmassi na flauta.

E Oz Noy traz uma lista de convidados mais que especiais, que inclui Eric Johnson, Warren Haynes, Gregroire Maret, John Medeski, Allen Toussaint e Chick Corea, em uma verdadeira mistura de tendências que deram um colorido todo especial neste album.

E o que não faltou foi o bom groove, que se destaca nos temas "You Dig", reforçada com um super riff de funky-blues e a participação do slide de Greg Leisz; em "Just Groove Me", que traz Dave Weckl nas baquetas; e "Get Down". Uma inspiração em Stevie Wonder vem no tema "Let Your Love Come Down" e o auxílio luxuoso da harmônica de Gregroire Maret.
Ainda, mais Blues no melhor estilo texano em "Blue Ball Blues" e como convidado Warren Haynes; em "EJ Blues" colocou a assinatura de Eric Johnson; e o piano de Allen Toussaint em "Slow Grease".
Chick Corea ataca de rhodes em "Rumbha Tumba". E fechando o album uma verdadeira jam com um frenético John Medeski como protagonistao em "Freedom Jazz Dance".


oznoy.com/

Leia também sobre Oz Noy -

Oz Noy: É Jazz, mas não soa como

O VAZIO QUE VAI DEIXAR O CONTRABAIXISTA CHARLIE HADEN

14 julho, 2014

Não tem como não registrar algumas palavras sobre o contrabaixista Charlie Haden, que nos deixou aos 77 anos. Uma trajetória musical como poucos realizaram, e deixa um legado importante para os amantes do instrumento e da boa música. Eu o tinha como um poeta do instrumento, tendo a oportunidade de assistí-lo na edição 2006 do saudoso Tim Festival.

Comecei a ouvir Haden de verdade com seu Quartet West, grupo que também trazia o saxofonista Ernie Watts e o pianista Alan Broadbent, registrado nos albuns Haunted Heart (1992), Always Say Goodbye (1993) e Now is the Hour (1995), estes que jamais pararam de rodar por aqui.
No lançamento de Beyound the Missoury Sky (1996), em duo com Pat Metheny, estava ali mais um registro histórico, de beleza musical ímpar, e que deu a Haden seu primeiro Grammy em 1997. Haden já havia gravado com Metheny nos albuns 80-81 (1980), Rejoicing (1984) e Song X (1986), em formações variadas. Aliás, Song X, pra mim, foi uma porta de entrada para o universo da música livre, a qual Haden foi um dos pioneiros quando participou do album Free Jazz:A Collective Improvisation (1961), sob a liderança de Ornette Coleman com dois quartetos tocando ao mesmo tempo, um em cada canal - Haden estava em um deles ao lado de Freddie Hubbard, Eric Dolphy e Ed Blackwell, um album que só consegui perceber, e entender, musicalmente mais tarde.
A série de concertos ao vivo em Montreal foi outro marco de Haden, sessões registradas na edição do festival em 1989 em formação de trio, que teve o piano de Geri Allen e Gonzalo Rubalcaba, ambos com o baterista Paul Motian, e o ousado trio com o trompetista Don Cherry e novamente Ed Blackwell numa sessão incendiária sem instrumento harmônico de base.

Haden também fez belos trabalhos com nosso Egberto Gismonti, como o duo registrado ao vivo em Montreal (2001); o trio Mágico, que também trazia o sax de Jan Garbarek, no album homônimo lançado em 1979 e no registro perdido de uma apresentação em Munique no ano de 1981, Carta de Amor, lançado recentemente.
E o mestre também estava ao lado de Michael Brecker em Don't Try This at Home (1988) e o belíssimo Nearness of You: The Ballad Book (2000); com David Sanborn em Another Hand (1991); com John Scofield em Time on My Hands (1989) e Grace Under Pressure (1991); e no Blues com James Cotton em Deep in the Blues (1995).
E tem que destacar os registros com o pianista Keith Jarrett, com quem Haden talvez tenha mais gravado e com quem fez recentemente dois albuns sensacionais em duo - Jasmine (2010) e Last Dance (2014).

Enfim, em muito que eu ouvia, e ainda ouço, tem o contrabaixo de Charlie Haden desenhando melodias, walkings e improvisos. Vai deixar uma imensa lacuna no Jazz e na Música.

Charles Edward Haden nasceu na cidade Shenandoah, Iowa, em 6 de agosto de 1937.

Charlie Haden : 1937-2014

EDIÇÃO 2014 DO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES PROMOVE CONCURSO DE BANDAS

09 julho, 2014
O Rio das Ostras Jazz & Blues lança seu primeiro Concurso de Bandas, abrindo espaço para grupos de Jazz, Blues e Música Instrumental.
O vencedor será premiado com a apresentação de duas músicas autorais no palco principal na noite do dia 16 de agosto. Além disso, a banda vencedora tem presença garantida na edição de 2015.
O objetivo do concurso é abrir espaço para os músicos do Rio de Janeiro e a competição vai movimentar a cidade do Jazz, já que a população e os turistas poderão prestigiar apresentações de qualidade entre os dias 12 e 14 de agosto, período entre os dois finais de semana da programação principal.
Poderão se inscrever bandas do estado do Rio de Janeiro que sejam formadas por três a sete integrantes. Para a inscrição, os candidatos devem preencher a ficha disponível no site da Prefeitura de Rio das Ostras e enviar junto um CD contendo três músicas, sendo duas autorais e uma cover, dentro da proposta de gênero do grupo. O material deve ser entregue até 31 de julho via Correios ou diretamente na sede da Secretaria de Turismo de Rio das Ostras - Praça Prefeito Cláudio Ribeiro s/nº, Extensão do Bosque; e na Fundação de Cultura - Praça São Pedro 109, Centro.
Ao todo, serão 18 grupos selecionados por uma equipe técnica composta por cinco jurados. Seis bandas se apresentam por dia nos dias 12, 13 e 14, em shows de 18 minutos. Serão observados pelo júri os quesitos interação, letra em português ou inglês, melodia, harmonia, ritmo, criatividade, performance e a impressão geral dos jurados. O edital está disponível no site da prefeitura e na página do festival.
Mais informações pelo telefone da organização (22) 99819-6969.

E, como sempre, esta 12º edição do festival promete. O evento será realizado em 2 finais de semana do mês de agosto - dias 8, 9, 10 e 15, 16 e 17. Serão mais de 60 horas de música em mais de 30 shows gratuitos espalhados pelos quatro palcos da cidade - Praça São Pedro, Lagoa de Iriry, Praia da Tartaruga e o palco principal de Costazul.

Na programação deste ano, o Jazz contemporâneo com o baixista Marcus Miller e o trompete de Randy Brecker; a voz imponente de Al Jarreau, em um passeio por várias tendências; a fusão Jazz-Rock do power trio HBC formado por Billy Cobham, substituindo Dennis Chambers que não poderá vir por problemas de saúde, Scott Henderson e Jeff Berlin; o Blues na guitarra de Larry McCray e na harmônica de Rick Estrin & The Nightcats; e o peso Blues-Rock do guitarrista Popa Chubby.
No elenco nacional, Taryn Szpilman a frente da Rio Jazz Orquestra e um convidado muito especial - o guitarrista Toninho Horta; o violão de Badi Assad ao lado do percussionista Marcos Suzano; o sopro de Carlos Malta; e a guitarra incendiária de Pepeu Gomes.
E algumas novidades por aqui como o Funk holandes da The Jig, a onda Zydeco de Rockin Dopsie Jr e o cantor e violonista Raul Midón.


Confira a programação -

8 de agosto, sexta-feira
Costazul, 20h : Orquestra Kuarup; Carlos Malta e Pife Muderno; Marcus Miller; Pepeu Gomes

9 de agosto, sábado
Praça São Pedro, 11h15 : Duca Belintani
Iriry, 14h15 : Pepeu Gomes
Tartaruga, 17h15 : Marcus Miller
Costazul, 20h : Afro Jazz; Larry McCray; Raul Midón; Rick Estrin & The Nightcats

10 de agosto, domingo
Praça São Pedro, 11h15 : Angelo Nani
Iriry, 14h15 : Rick Estrin & The Nightcats
Tartaruga, 17h15 : Raul Midón

15 de agosto, sexta-feira
Costazul, 19h30h : Adriano Grineberg; Badi Assad e Marcos Suzano; The Jig; Randy Brecker; Popa Chubby

16 de agosto, sábado
Praça São Pedro, 11h15 : Zuzo Moussawer Trio
Iriry, 14h15 : Popa Chubby
Tartaruga, 17h15 : Randy Brecker
Costazul, 20h : Taryn, Rio Jazz Orquestra e Toninho Horta; HBC; Al Jarreau; Rockin' Dopsie Jr & Zydeco Twisters

17 de agosto, domingo
Praça São Pedro, 11h15 : Glaucus Linx & Ancestrais Fututros
Iriry, 14h15 : Rockin' Dopsie Jr & The Zydeco Twisters
Tartaruga, 17h15 : HBC

O evento também poderá ser assistido em tempo real pela web, iniciativa de muito sucesso disponibilizada na edição do ano passado e que teve acesso em mais de 39 países, com maior número dos Estados Unidos, seguido da Argentina, Japão, França e Portugal.
Ainda, um aplicativo para smartphone e tablet para que o público possa acompanhar todos os detalhes da programação, artistas e dados turísticos de Rio das Ostras, disponível na Apple Store e Google Play.

O Rio das Ostras Jazz & Blues é realizado pela Prefeitura Municipal de Rio das Ostras, por meio da Secretaria de Turismo, com produção da Azul Produções; é patrocinado pela Lei de Incentivo da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e conta com apoio cultural da Odebrecht, da Vallourec e da Caixa Econômica Federal.
http://www.riodasostrasjazzeblues.com/

HIROMI ALIVE

02 julho, 2014
Hiromi é ousada, empolgante, criativa e faz música com muita emoção. É a minha pianista preferida !

Alive é o nono album de sua discografia, lançamento Telarc, e o terceiro gravado ao lado do baixista Anthony Jackson e do baterista Simon Philips, o The Trio Project, grupo que, apesar de junto há apenas 4 anos, já tem uma identidade própria, resultado de uma química perfeita de integração e conjunto, e que foi citado pela DownBeat como um dos mais excitantes nessa formação em atividade hoje.

Sobre o album, Hiromi afirma que ele tem um duplo significado, pois ela queria escrever temas que fossem ao encontro com as coisas e emoções que encontramos na vida; e a palavra "Alive" pode também significar tocar com vida.
O album foi gravado ao vivo no estúdio, sem overdubs.

A intensidade das composições se mantém em todo o album, 9 temas com muitas passagens criativas.
Destaque para "Wanderer", que alterna dinâmica e vibração desenhados pelas mãos de Hiromi e um Anthony Jackson empurrando um invocado walking suportado pelos pratos de Simon Philips; e "Player", cujo tema inicia com uma cadência tradicional seguido por um frenético uptempo.
"Warrior" é outro tema denso, iniciado como balada e que ganha intensidade, e aí percebemos como o trio está em perfeita sintonia. Ainda tem espaço para duas belíssimas baladas, a melódica "Firefly", em interpretação solo; e "Spirit", em que Hiromi coloca uma roupagem clássica e dá espaço para o improviso de Anthony Jackson. O album fecha com a empolgante "Life Goes On".

Hiromi é categórica em suas palavras - "Minha habilidade de ouvir melhora a cada dia. Com o passar dos anos, aprendi como ouvir mais cuidadosamente, e responder musicalmente para o que está acontecendo no momento. Isso é o que faz meu trio brilhar como um time."


hiromimusic.com/

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Hiromi: Move

DOWNBEAT CRITICS POLL 2014

24 junho, 2014

A cantora e compositora Cécile McLorin Salvant foi a grande revelação da edição 62 da Downbeat Critics Poll. Cecile foi premiada em 4 categorias - album do ano pelo trabalho Woman Child (Mack Avenue), destaque vocal feminino, e na seção de artistas em ascensão como revelação do Jazz e novamente como vocal feminino.

Para Frank Alkyer, editor da Downbeat, este foi um ano formidável para as vozes do Jazz - outro nome de destaque foi Gregory Porter.
Maria Schneider também foi outra grande premiada nesta edição nas categorias Big Band, Compositora e Arranjadora.
Ainda, a inclusão do guitarrista Jim Hall no Downbeat Hall of Fame, e os nomes do guitarrista Peter Bersntein e do saxofonista Wayne Scofery nos artistas em ascensão, dois músicos que sempre gostei muito.

Nesta edição foram 62 categorias premiadas e mais de 1200 artistas listados. A lista completa será publicada na edição de agosto da Downbeat.



Confira a lista  -

Hall of Fame: Jim Hall 
Veterans Committee Hall of Fame: Dinah Washington 
Veterans Committee Hall of Fame: Bing Crosby 
Jazz Artist: Gregory Porter
Jazz Album: Cécile McLorin Salvant, WomanChild (Mack Avenue)
Historical Album: Miles Davis, Miles At The Fillmore 1970 The Bootleg Series Vol.3 (Columbia/Legacy)
Jazz Group: Wayne Shorter Quartet 
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Wycliffe Gordon
Soprano Saxophone: Jane Ira Bloom
Alto Saxophone: Kenny Garrett
Tenor Saxophone: Joe Lovano 
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Vijay Iyer 
Keyboard: Robert Glasper 
Organ: Lonnie Smith
Guitar: Bill Frisell
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke 
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Vibraphone: Gary Burton 
Percussion: Hamid Drake 
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck (banjo)
Male Vocalist: Gregory Porter
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant 
Composer: Maria Schneider 
Arranger: Maria Schneider 
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Buddy Guy
Blues Album: Buddy Guy, Rhythm & Blues (RCA/Silvertone)
Beyond Artist or Group: Robert Glasper Experiment
Beyond Album: Robert Glasper Experiment, Black Radio 2 (Blue Note)

Rising Stars

Jazz Artist: Cécile McLorin Salvant
Jazz Group: 3 Cohens 
Big Band: Ryan Truesdell Gil Evans Project
Trumpet: Jonathan Finlayson
Trombone: Vincent Gardner
Soprano Saxophone: Tia Fuller
Alto Saxophone: Jaleel Shaw
Tenor Saxophone: Wayne Escoffery
Baritone Saxophone: Colin Stetson
Clarinet: David Krakauer
Flute: Holly Hofmann
Piano: Fabian Almazan
Keyboard: Marc Cary
Organ: Brian Charette
Guitar: Peter Bernstein
Bass: Avishai Cohen
Electric Bass: Derrick Hodge 
Violin: Eyvind Kang
Drums: Rudy Royston
Vibraphone: Matt Moran
Percussion: Pedrito Martinez
Miscellaneous Instrument: Wycliffe Gordon (tuba)
Male Vocalist: Ed Reed
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Composer: Ben Allison
Arranger: Ryan Truesdell
Producer: Terri Lyne Carrington

downbeat.com/

Leia também as postagens aqui publicadas sobre Cécile McLoren Salvant e Gregory Porter -

A Voz e o Swing de Cécile McLoren Salvant O Soul e o Jazz na voz de Gregory Porter